Dia dos namorados

Percebo 4 modalidades de distância crítica em relação ao dia dos namorados:

1- A ideológica. É uma invenção capitalista, uma tradição inventada a que só se adere por cumplicidade com a pressão celebratória (e consumista) estabelecida sobre as relações ("é nestes dias que não namorar é uma coisa boa"; "mais valem as datas patrimoniais do casal do que o 14/02").

2- O frete. É uma data estúpida, mas não a comemorar de todo implica um statement demasiado arriscado.
a) Porque podia haver ressentimentos mais ou menos calados dentro da relação (sem a prendinha ou o jantarinho ela ia amuar, ele ia amuar);
b) Porque não há forma de ignorar a vigilância estabelecida sobre os sinais exteriores de romantismo ("o que é que eu ia dizer às minhas amigas?").

3- A inveja. O amor celebrado em todas as esquinas fere a solidão dos solitários que, assim, disfarçam a inveja de distância ideológica.

4- A coerência. Haveria a vontade para a celebração, mas "depois de anos sozinho a falar mal do dia dos namorados, seria ridículo, agora que namoro, fazer as figuras antes escarneci".

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