Courbet

Na hipótese mais verosímil, os queixosos terão denunciado o quadro de Courbet por beatice hipócrita. Numa hipótese mais rebuscada, a que estou prestes a sugerir, o real impacto de Courbet naquelas alminhas não teria a ver com um suposto cariz pornográfico da capa do livro, teria a ver, sim, com o modo como aquela vagina se distancia dos ícones pornográficos em que os queixosos se socializaram. Na iconografia pornográfica contemporânea, as vaginas aparecem sempre com os pêlos púbicos rapados e em franca actividade (não há tempo para bucolismos). Mais, a visão integral da vagina raramente se consuma conquanto ela surge quase sempre com um pénis embutido (pelo menos). No fundo, pelo seu poder de trivialização, a pornografia define a obscenidade como aquilo que lhe é exterior; é lícito pensar que o imaginário mediático da vagina, aquele que jaz embutido nos censores, tenha soado o alarme perante o estilo retro do "corte púbico" e perante a placidez da vagina em nu integral. Não estão habituados a essas coisas na net.

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