Ronaldo
O Gustavo Offely tempera-me o soundbyte: aquando da apropriação selectiva de Ronaldo, fui demasiado expedito na depreciação do homem. Tem razão. Mas explico. A menorização do homem nada tem a ver com um juízo moral: não me coloco em posição de declarar sentenças morais sobre figuras públicas (excepção feita ao Naipaul e ao Paulo Assunção); invariavelmente dou por mim fascinado pelo perfil público de pessoas que adivinho detestáveis; fico com a impressão que o Ronaldo é boa gente e sinceramente acho admirável a relação de generosidade e gratidão que ele tem para com a família.
O meu problema com o Ronaldo não é a vaidade ou a arrogância, coisa que eu aprecio em presenças que juntem a consequência ao respaldo estílistico, tampouco o facto de ser mais menos bem falante. O meu problema é a total ausência de gravitas, por um lado, e, por outro, a pobreza narrativa que convive com um óbvio deslumbramento cénico acerca da sua estrondosa notoriedade (ajudava muito que aprendesse a festejar os golos). Tantas poses disponíveis: Rooney, o proletário; kaká, o ungido de Deus; Cantona, o sublime renegado; Messi, o baixinho amoroso; Ginola, o dandy; Raul, o fiel à mulher e ao clube; Drogba, o maniento combativo; Beckham, a pop star esforçada, etc. Ronaldo deixa-me perdido, o experimentalismo da sua performatividade, a reactividade deslocada e a presença pró-fílmica (porque má) deixa-me sem saber que fazer à idolatria que futebolisticamente me merece (não esquecer: a época 2007/2008 foi um assombro). Ao contrário de muitos que se entretêm a desvalorizar a joga de Ronaldo, eu, na impossibilidade de conciliar a admiração pelo jogador com igual sentimento pelo homem público, guardo o jogador. Mas é uma disjunção agonística, Gustavo.
O meu problema com o Ronaldo não é a vaidade ou a arrogância, coisa que eu aprecio em presenças que juntem a consequência ao respaldo estílistico, tampouco o facto de ser mais menos bem falante. O meu problema é a total ausência de gravitas, por um lado, e, por outro, a pobreza narrativa que convive com um óbvio deslumbramento cénico acerca da sua estrondosa notoriedade (ajudava muito que aprendesse a festejar os golos). Tantas poses disponíveis: Rooney, o proletário; kaká, o ungido de Deus; Cantona, o sublime renegado; Messi, o baixinho amoroso; Ginola, o dandy; Raul, o fiel à mulher e ao clube; Drogba, o maniento combativo; Beckham, a pop star esforçada, etc. Ronaldo deixa-me perdido, o experimentalismo da sua performatividade, a reactividade deslocada e a presença pró-fílmica (porque má) deixa-me sem saber que fazer à idolatria que futebolisticamente me merece (não esquecer: a época 2007/2008 foi um assombro). Ao contrário de muitos que se entretêm a desvalorizar a joga de Ronaldo, eu, na impossibilidade de conciliar a admiração pelo jogador com igual sentimento pelo homem público, guardo o jogador. Mas é uma disjunção agonística, Gustavo.
posted by Bruno Sena Martins @ quarta-feira, janeiro 14, 2009