Ojalá


Ojalá - Silvio Rodríguez



Testimoniu

Orgulho histórico: vi esta coisa do Berbatov em directo.

O Porto, essa nação

Alguém conhece um software elegante para eu postar as minhas sugestões de 11? O Jesualdo precisa de ajuda e segundo percebo o Blogger não está equipado para croquis futebolísticos. Ao assistir aos naufrágios recentes, dou por mim a errar entre as larachas depressivo-contemplativas e o papel de militante engajado, são assim estes dias em que Sartre visita a alma do adepto portista (alguns inspiram-se em Fanon e daí as pedras).

Conselhos rápidos a Jesualdo Ferreira:

1- Isto chegou a um ponto em que somos obrigados a reconhecer que Fucile é de longe o melhor lateral do Porto (sim, eu sei). Pensei que fosse óbvio (mas não, cheguei a vê-lo no banco com Sapunaru e Benitez em campo).
2- Isto chegou a um tal ponto em que somos obrigados a reconhecer que Tarik é o melhor extremo do Porto, portanto, mesmo quando come a más horas, é indiscutível em qualquer desenho de 4-3-3 (aliás, sugiro que coloquem o Mariano sob um rigoroso e ininterrupto Ramadão, algures numa cave da cidade, durante o tempo que durar o contrato).
3-Para o meio campo vislumbro três soluções. No entanto, mais importante que a valia da solução escolhida seria a cristalização de uma opção com margem de consolidação. No absurdo, um meio campo que integrasse de forma consistente o inenarrável Bollati tinha maior margem de sucesso do que a lotaria com que Jesualdo tem preenchido a linha média. Mantendo o 4-3-3, as minhas opções são (a ideia, repito, é escolher uma delas): Hipótese 1: Pelé-Meireles-Lucho; Hipótese 2: Meireles-Tomás Costa-Lucho; Hipótese 3: Meireles-Rodriguez-Lucho.
4- Como terão reparado, na terceira hipótese do item anterior alvitro Rodriguez a 8, hipótese que Freitas Lobo avançava a medo no domingo. Não há que ter medo, amigo. Na verdade, Rodriguez nunca será um extremo e essa asserção está largamente dramatizada pelo facto de alguém no Porto se ter esquecido de fazer a honras: "Linha de fundo, apresento-te o Rodriguez. Rodriguez, a linha de fundo; Rodriguez isto é aquilo que nós chamamos um Drible, Drible, isto é aquilo a que nós chamamos a um Rodriguez." Rodriguez poderia jogar no losango de Paulo Bento como médio interior esquerdo e poderá jogar como médio esquerdo num eventual 4-4-2 clássico que Jesualdo venha a adoptar, mas num 4-3-3 simplesmente não tem lugar como avançado. Portanto, não sem comoção, imagino Rodriguez a fazer o mesmo trajecto que Maniche percorreu desde médio esquerdo do Benfica até 8 do Porto, um precedente peregrino a ter em conta; para ex-benfiquistas com elevada intensidade de jogo Deus é melhor na zona do 8.
5- Nunca vi uma equipa aproveitar tão mal as bolas paradas ofensivas (Octávio não é para aqui chamado). Devia ser mecanizado com Bruno Alves aquilo que Mourinho fez, primeiro com Costinha e depois com Terry, na sistemática colocação da bola ao poste mais distante onde sita o trunfo aéreo: rebound, golo, creio que não preciso explicar mais.

(Alguém que saiba o mail do Jesualdo, é carregar no envelope que fecha o post)

Obama e a esquerda

Dá gosto ver as capacidades mediúnicas de tanta boa gente aplicadas em traduzir Obama à esquerda europeia. Não sou ingrato e valorizo quem, com o sacrifício do próprio lombo, põe mundos em contacto. Acham que tanto entusiasmo pró-Obama só pode resultar de ignorância em relação ao espectro político americano. Brilhante. Acham que Obama está a ser usado para corporizar uma delirante utopia revolucionária. Genial.

Insuflado por tanta sapiência visionária, tento aprender segundo aquilo que as minhas limitações ideológicas consentem ao mesmo tempo que tento não me importar demasiado com a dramática mudança de prelecção. Primeiro, diziam, a esquerda anti-Bush foi contaminada por um anti-americanismo primário incapaz de fazer destrinças e incapaz de perceber a exuberante diversidade dos States, agora, explicam, a esquerda está entusiasmada com a mudança anunciada pela eleição de Obama apenas porque desconhece que a melhor América (elegível) é ainda demasiado má para a sua cartilha (porque direitucha, porque imperialista, etc.).

Assim, acusam as hostes recicladas da oposição à Guerra do Iraque de andarem grandemente equivocadas reconstruindo uma utopia delirante em volta da putativa eleição do senador de Illinois. Fico confuso com o arremesso do utopismo, pensei que a esquerda europeia dava sinal de franco pragmatismo (e de "anti-anti-americanismo") ao abraçar a mudança possível representada pela hipótese Obama/Biden. Mas, valha a verdade, eu não não ouço vozes nem falo aramaico.

Kusturica: appetizer


"O meu irmão é um marciano"
Daqui.

Menos mal

"Quatro anos e oito meses depois, o Chelsea voltou a perder em casa, em jogos da Premier League."

Poema de los dones





Jorge Luís Borges Por El Mismo

Bola de ouro

As pessoas apreciam pouco presumidos sem gravitas. Ronaldo é um caso aflitivo desta combinação caracterológica. De cada vez que ele afirma «ninguém merece mais do que eu» para assim solidificar a certeza de que é o óbvio destinatário da Bola de Ouro (ou do Prémio Fifa) são uns votos que ele oferece ao Messi. Na verdade, Ronaldo até merece e seria injusto que não ganhasse. Mas, por favor, alguém o mande calar.

Avulsos

"---Ninguém esquece Dostoiévski. E ninguém esquece Crime e Castigo, a história de Raskolnikov, o criminoso que mata por megalomania niilista e depois é devorado pela sua consciência. Quando li o romance, algures na adolescência, o que me impressionou não foi a natureza do crime ou a violência do criminoso. Foi a observação do inspector da polícia, para quem Raskolnikov acabaria por entregar-se às autoridades, derrotado pela culpa. O inspector não mexe um dedo; aguarda; até ao dia em que Raskolnikov vem ter com ele, mais doce do que um cordeirinho. Bingo.

Lembrei tudo isto com a saga de O.J. Simpson. Em 1995, e contra todas as evidências (ADN, fuga à polícia, etc.), O.J. Simpson foi ilibado da morte da mulher e de um amigo por razões politicamente correctas: o advogado agitou o fantasma do racismo e o júri acreditou. Mas a absolvição pesou na vida de Simpson, que procurou exorcizá-la com lapsos freudianos de proporções gigantescas. Há uns anos, em atitude infame, Simpson publicou um livro onde descrevia, a título hipotético, como teria morto a mulher e o amigo - uma forma tortuosa de confessar que realmente o fez.

E, depois disso, o homem juntou-se a um gangue de delinquentes para cometer crimes inaptos, oferecendo-se novamente à captura e à justiça. Como um cordeirinho. Levado a tribunal, foi agora condenado no exacto dia em que passaram 13 anos sobre a sua insuportável absolvição passada. Ouvirá a sentença em Dezembro. Prisão perpétua é uma possibilidade.

Rezam as crónicas que, no momento da condenação, familiares e amigos gritaram de horror e desmaiaram no local. Simpson nem espirrou. Percebe-se. Para quem leu Dostoiévski, a expressão no rosto de Simpson tem nome. Chama-se alívio." João Pereira Coutinho, Expresso

Os sapatos gastos de Obama

Depois das notícias sobre a fortuna que os republicanos têm gasto com o guarda-roupa da família Palin, esta foto devolve-nos, por momentos, a uma mirífica luta de classes.


Daqui.

Mourinho rules

"Drogba põe de parte a hipótese de se juntar a Mourinho no Inter" Notícia de 17 de Outubro

"Mourinho: «Já não sou manager do Chelsea e portanto não tenho que o defender: acho correcto quando se diz que o Drogba é um mergulhador»" Notícia de 22 de Outubro.

McCain, esse socialista


O Vice- Cônsul

Borges lembra-nos como Heitor pôde gritar a salvo da desonra: "o pudor estóico ainda não fora inventado".

Era ainda o tempo de bramir a desgraça sem preocupações estilísticas, era ainda o tempo de sofrer a coberto de nenhuma grandeza moral. Depois de Heitor é costume exagerar-se a pequena angústia em versos elegantes, enquanto que a grande desaparece escandida em silêncios de consistência estóica. Segundo versão corrente, o imitador moderno aplana a distância para o troiano já nas proximidades da loucura; afinal, como se sabe, a história pesa e ninguém faz pouco dos rigores da narrativa.

Os russos

Entrevista após o Porto:0 Dínamo Kiev:1
Repórter da Renascença: "Definitivamente o Nuno não se dá bem com os russos..."
Nuno: "São ucranianos."

Appadurai et. al

Dia 27 na Gulbenkian. É capaz de justificar o saltinho.

0-0

Ouviram o apito e puseram-se de joelhos. Já começaram a acender velinhas ao altar do Scolari. Provavelmente esquecidos de que foi ele que os mandou pastar. Fazem-me lembrar um amigo que em ficando bêbedo se enchia de remorsos por não ter ficado com a ex; tínhamos sempre de cumprir ingrata tarefa lembrando-o de que tinha sido ela a acabar. Antes a perda que o remorso.

Em todo o caso, Eduardo Lourenço, José Gil, um sentido pedido de desculpas e a minha promessa: qualquer dia começo a levar a sério as psicanálises da pátria. Aquela coisa do Sebastião é assunto sério.

Žižek II

Réplica ao João Galamba sobre a entrevista de Žižek:

Concordo inteiramente João, a visão politica de Žižek, além de vaga e caprichosa (por exemplo, na frente que faz às políticas de identidade), depende crucialmente de um salto no escuro: a fé num momento que levará as sociedades contemporâneas a questionarem a ordem capitalista e a reconsiderarem a opção socialista (aquilo que ele refere anacrónica e propositadamente como a luta de classes). Mas é também por isso é que ele se sente tão confortável para dissertar sobre a actual crise -- suspeito que isso não seja alheio à rara pertinência política dos seus ditos na referida entrevista.

Neste livro de 2000, às tantas surge um interessante diálogo entre o bom do esloveno e Ernesto Laclau. Žižek criticava o privilégio pós-moderno do multiculturalismo e das políticas da identidade, por achar que tal linha equivale à aceitação tácita do capitalismo como uma inevitabilidade. Nas suas palavras: " [while] the postmodern irreducible plurality of struggles undoubtedly describes an historical process, its proponents, as a rule, leave out the resignations at its heart ― the acceptance of capitalism as “the only game in town”, the renunciation of any real attempt the existing capitalist liberal regime."

A resposta de Laclau começa por desfazer, e bem, a oposição entre luta de classes e políticas de identidade: "my answer to Žižek's dichotomy between identity politics is that class struggle is just one species of identity politics, and one which is becoming less and less important in the world which we live."

Mas a crítica mais retumbante de Laclau é quando acusa Žižek de querer questionar a ordem capitalista, ainda que em favor da regulação e do controlo democrático da economia, no vazio, sem apresentar uma única via para esse desiderato: I understand what Marx meant by overcoming the capitalism regime , because he made quite explicit several times. I also understand what Lenin or Trotsky meant for the same reason. But in the work of Žižek that expression means nothing -- unless he has a secret strategic plan of which he is very careful not to inform anybody.

O êxtase de Žižek compreende-se -- a entrevista reflecte o êxtase de quem ganhou o euromilhões com chave aleatória. É que o "plano secreto" de que Laclau acusava Žižek parece estar mesmo a cumprir-se nesta crise. É verdade que falar de modo vago sempre foi uma grande virtude profética, mas não é menos verdade que o capitalismo desregulado foi posto em causa, em toda a linha, de um momento para o outro.

Žižek (act.)

Esta entrevista áudio é deliciosa (sim, fundamental).

Aqui fica um teaser:
"O Presidente Bush devia ser nomeado membro honorário do Partido Comunista Americano"

"E se aplicássemos aos republicanos a velha anedota dos irmãos Marx?: este homem parece um idiota, fala como um idiota, mas não deixes que isso te engane: ele é um idiota. Eles falam em mudança, agem como se quisessem mudança, mas não deixes que isso te enganar: eles vão mudar as coisas. Esse é o grande perigo, eles falam a sério."

"A função principal da ideologia dominante é fazer esta crise parecer não como algo inscrito na própria dinâmica do sistema, mas como um distúrbio contingente devido a má legislação, má política, etc. Importa sacrificar as decisões erradas dos indivíduos para salvar o sistema."

Versões de um mesmo mito

"(...) not only do Fellini and Antonioni share a leading man, they also share a script writer: Ennio Flaiano."


La Dolce Vita (1960)


La Notte (1961)

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"Assim não"

O PS é a favor do casamento entre pessoas do mesmo sexo mas vai votar contra. É impressão minha ou já vi este filme ser justamente coberto de ridículo?

Avulsos

"Creating a solid financial plan includes managing risk associated with health, home, vehicles and protection of assets. Most of us strive for the right balance between the ability to live with a certain amount of risk and the confidence we may or may not have to replace or minimize the impact of loss. Insurance planning can help you."Aassim canta a publicidade no site da AIG


Debate 2


John King, o artista do magic wall, a certa altura resumia a coisa assim: "Game Over". A ver vamos.

Aquele abraço

Nuno, seu nome (não deixa de ser curioso como é que um jogador de futebol pouco mediático vinga em colonizar um nome próprio tão batido, ao ponto de ser a única figura pública portuguesa que responde por "Nuno", acontecia o mesmo com o Bruno do Marítimo e com o Carlos do Boavista), Nuno, dizia...

Nuno começou a ameaçar a titularidade de Helton graças à propensão deste último para fazer coincidir as suas falhas com os jogos em que a derrota dissemina maior sofrimento. No entanto, não é por aí que a erosão de Helton junto dos adeptos melhor se explica. A meu ver, Helton está em perda não tanto por questões imanentes ao jogo, mas pela indisfarçável presença carismática de Nuno enquanto alma mater do grupo. É impossível não associar algo de uma frivolidade simbólico-emocional a Helton se atendido o contraponto oferecido por uma imagem recorrente: o marcador do golo corre em direcção ao banco para festejar nos braços de Baía e, mais recentemente, nos de Nuno.

Das duas uma, ou Nuno dá uns abraços extremamente fofinhos ou, como tudo parece fazer supor, é uma espécie de esteio emocional do balneário portista. No domingo, contra o Sporting, numa das raras aparições como titular, teve a fortuna de estar ligado a uma vitória post mortem (pós-Emirates, se preferirem). Por uma questão que é anímica e populista, a mudança de personagens na passagem da humilhação de Londres para a dignidade de Alvalade seria já suficiente para abalar definitivamente o paradigma Helton -- ou seja, mesmo que o treinador esteja certo de uma superioridade técnica do internacional brasileiro. Há mais. Não sei se repararam, mas no fim do jogo lá estava Bruno Alves, o herói da partida, num franco abraço a Nuno, carinho que terá durado uns bons 20 minutos e custado umas 5 costelas fracturadas. Significativo gesto. Mas se pensarmos que o mesmo Bruno Alves tem, há anos, uma estreita relação com Helton na gestão do condomínio defensivo portista, aquele abraço significa ainda mais, muito mais. Tanto assim que não me custa imaginar Otis Redding a rodar por estes dias no mp3 de Helton:

"Honey, I saw you there last night
With another man's arms holding you tight
Nobody knows what I feel inside (...)"

Helton está irreversivelmente fragilizado pelos abraços que perdeu para o outro, à vista de toda a gente.

Foto: EPA/Manuel De Almeida

Família Feliz




Outdoor do "Partido Socialista" ligeiramente retocado pelo Eduardo.

Até aqui cheguei

Já lá vão uns anos, uma namorada dos tempos de faculdade, segundos antes de assumir o cognome "ex", rogou-me uma praga um tanto difícil de esquecer: "essa tua complacência para com o Jesualdo Ferreira ainda vai ser a tua ruína" (creio que a memória não me falha). Nem sei se na altura já conhecia a obra de Jesualdo Ferreira. Tampouco sei se sabia o significado da palavra complacência. Hoje, pessoa relativamente instruída nas pragas da vida, conheço as incidências da carreira de Jesualdo desde o Rio Maior e creio ter percebido o sentido de "complacência" numa daquelas epifanias a que Rui Santos nos habituou sempre que fala situação laboral de Paulo Bento.

Peço desculpa a todos os que tenho feito sofrer -- mãe, esta é para ti -- por não assumir um posição de maior vigor no achincalhamento do Jesualdo Ferreira.

No entanto, creio que se atentarem na história recente , com a excepção de um tal Mourinho, encontrarão alguns atenuantes para o meu quadro emocional, são eles: Octávio Machado, Del Neri, Fernandez, Couceiro, Co Adriaanse. Ou seja, já sofri muito e tenho medo de deixar a minha fortuna entregue a um angariador de Del Neris. Por outro lado, e é isto que gostaria que ficasse, molestadinho que estou por assistir à procissão anual de contratações ridículas cuja única coerência táctica é a robustez das comissões ganhas por alguns, contenho a minha tristeza e suporto a humilhação por saber há anos ao beco evolutivo constituído pela obscena sobre-especialização Assunção-Meireles-Lucho.

A questão é que se num destes dias chegar a proferir o solene "Até aqui cheguei" não estarei meramente a pensar em Jesualdo". Na verdade, estou na irónica e tétrica posição de querer acreditar num qualquer Jesualdo como forma de não deixar cair a crença paradimática -- eu sei, isto é mais ou menos procurar Marx na experiência albanesa.

Agora é integrar o Tarik, recuperar o Lucho, solidificar o Fernando, calibrar o Pelé, fuzilar o Benitez e continuar a acreditar que nascem flores em qualquer desterro.

Momento da Verdade: versão Rita Ferro Rodrigues

Se bem percebo, Rita Ferro Rodrigues cumpre por estes dias a missão de interrogar os concorrentes do Momento da Verdade (a saber, Reality Show da Sic) no rescaldo do programa. Perante seres cujo perfil suicida se situa entre o ganancioso e o masoquista, Rita Ferro Rodrigues faz render o share em busca de explicações compungidas para toda a sorte de iniquidades, entretanto tornadas públicas (o programa baseia-se num mano-a-mano com o polígrafo) . Não me verão defender alguém que se voluntaria a expor a sua vida perante uma audiência nacional e, o que é mais, arrisca sujeitar cônjuges e familiares às mais candentes humilhações -- ainda que eu também agradeça o contributo para algum desmontar da ilusão urbano-intelectual sobre Portugal. Mas, sinceramente, irrita-me a superioridade moral a que alguns se arvoram para perorarem sobre as misérias dos outros.

Industriada na busca do contraditório, RFR junta as qualidades de diácona remédios com uma invulgar sobranceria (por exemplo, no outro dia interrogou os Gato fedorento como não se via desde Nuremberga). Há pouco, na entrevista a um jovem concorrente cujo menor dos pecados é fantasiar com a esfíngica sogra, RFR rematava com esta coisa deliciosa: "Errar todos erramos, mas temos é que saber aprender com os erros". Não querendo questionar os pergaminhos de santidade de RFR, cabe perguntar: mas o que é isto?