Carolina Salgado

Como era bom de prever, Pinto da Costa e Maria José Morgado agora já têm algo em comum: um casamento fracassado com Carolina Salgado.

Rescaldo I


Pergunta do dia: Quais foram os três melhores jogadores do Euro?

Pouco refreando um vago impressionismo no passeio memorativo, aqui vai a minha hipótese de resposta -- entre parênteses vão as escolhas reflexas que geminei aos eleitos (vagamente inspirado por um magnetismo místico de que me fiz médium):

Casillas (também me ocorreu Chiellini)
Sneijder (também me ocorreu Arshavin)
Schweinsteiger (também me ocorreu Podolski)

P.s. Senna, Xavi, Iniesta e David Silva foram excluídos da minha lista de pretendentes por motivos que se prendem com um fenómeno histórico de diluição por simpatia sempre que níveis muito próximos de qualidade e discrição constituem um mesmo meio campo durante toda a fase final de um Euro 2008.

Iker

As unhas de Casillas:

90

Nelson Mandela

Conheceu as ternuras da velhice, os tronos da política e aparece hoje embrulhado num embaraçoso consenso histórico. Mas atenção: nada justifica a ausência da cara deste homem nas t-shirts lá de casa.

César

Cansado da vida que leva César aguarda pelas alterações climáticas com alguma expectativa.

Christian Rodriguez

Fica por esclarecer até que ponto o processo "apito final" não terá sido uma conspiração urdida pelo próprio Pinto da Costa para fazer com que Luis Filipe Vieira se deixasse distrair com telefonemas para o Conselho Disciplinar da Liga, viagens à Suíça, faxes para Uefa, queixas no Tribunal Europeu dos Direitos Humanos, velinhas à santa, apelos ao Marinho Pinto e outras mezinhas que tal. Pelo muito que o considero, é urgente que Rui Costa se livre do padrinho inoperante que lhe calhou em sorte.

22.06.2003

5 anos de avatares.


Avulsos

"Em nenhum momento se colocou a hipótese de o Prós & Contras servir como factor de alienação na sociedade portuguesa." Rogério Casanova, Pastoral Portuguesa

Avulsos

"Quem sabe se um dia ainda volto a treinar Portugal" Luiz Filipe Scolari, Público
Quem sabe se na equipa da Fundação Ricardo depois de uma formação profissional consagrada à problemática "Bolas Paradas".

Torço

Acima de tudo torço contra Scolari. Facto insuperável. No entanto não sou indiferente ao desejo das almas próximas que vivem estes dias segundo o BI. Daí poder acontecer que o meu fervor anti-scolariano se dilua no amor que lhes tenho. Mais que isto não consigo.

Ler

Os estorninhos de Schieffelin.

Fim de uma era


Após o jogo com a Itália o motorista do autocarro francês recapitula o desastre. Ficamos sem saber se ele lida mal com as derrotas ou se, como é mais comum nestas circunstâncias, anda a ler J. G. Ballard.

P.S. Espero que os Italianos tenham ido para cama minimamente cientes daquilo que Buffon fez contra a Roménia. Eu fui.

Avulsos

Estava na hora de Shyamalan começar a filmar argumentos de outros, tão pouco "Shyamalanescos" quanto possível. A ver se o seu talento deixa de estar sufocado pela beatice da sua "visão do mundo". Luís Miguel Oliveira, Ípsilon (a Propósito de O Acontecimento)
Infelizmente concordo. Sempre me opus às acusações de naïvité e beatice lançadas à obra de Shyamalan (no que Žižek e Bénard da Costa, cada um a seu jeito, expressamente me têm apoiado). Mas a triste verdade é que começo a ficar sem argumentos para o defender. O mais grave é que a continuar nesta senda Shyamalan está a "decidir" retroactivamente o modo como alguns dos seus filmes, de recepção liminar, ficarão para a posteridade. Ora, isto é algo que abala a minha autoridade nas memoriosas mesas de café deste país. O Sexto Sentido, O protegido e A Vila, filmes que reputo, teriam beneficiado em muito de uma morte prematura do seu autor (às mãos de ETs, por exemplo). Mas enfim, há ali inequívoca centelha de génio. É cedo para desistirmos. Acho eu.



Do Público: "Uma luva do guarda-redes checo Petr Cech foi deixada no relvado depois do jogo no Grupo A do Euro 2008. A República Checa acabou por perder com a Turquia no Estádio de Genebra, ontem à noite. Foto: Christian Hartmann/Reuters"

A turma de Scolari

Scolari tem óbvios méritos na forma como tem conseguido ganhar os grupos que leva para as fases finais. Da Nossa Senhora do Caravaggio a Roberto Leal, os esteios de solidariedade são amplamente conhecidos e, não por acaso, terão assumido um papel importante no ânimo dos piquetes de camionistas. Mas há um elemento que talvez seja mais significativo que o apoio de Cavaco Silva, de todos os meus "amigos" ou, quiçá, do próprio Tony Carreira.

Ao depender tão dramaticamente de uma liderança baseada numa autoridade do tipo paternal -- uma autoridade que assenta no reconhecimento do poder tutelar investido no "pai", na afeição parental e na experiência (títulos) --, Scolari mais não faz do que esconder aqueles que são os seus défices estruturais. Ele conhece-os. E espero que Stamford Bridge os venha a conhecer em breve.

Falta-lhe um saber futebolístico (técnico) capaz de criar reverência entre jogadores que nos seus clubes estão socializados com metodologias e saberes periciais de ponta -- falo de uma reverência como a que conta Costinha: consta que o primeiro jogo preparado sob o comando de Mourinho terá sido para ele como cair do cavalo no caminho para Damasco; falta-lhe um carisma que seja capaz de se afirmar sem a constante invocação dos galões da hierarquia; falta-lhe a coragem para constituir grupos primordialmente definidos por critérios futebolísticos -- basicamente é o que distingue um líder em Futebol (Mourinho ganhou a Liga dos Campeões com Carlos Alberto a titular, um tipo que nos últimos anos se tem celebrizado por ocupar os tempos mortos dos treinos entre o pandeiro e os sobrolhos dos colegas).

Assim, ao excluir da convocatória jogadores em relação aos quais a única dúvida deveria ser o menu do pequeno almoço que lhes deveria levar à cama nas manhãs do estágio, ao fazer uso dessa "justiça arbitrária", Scolari tem vingado em conquistar a gratidão dos injustamente escolhidos assim reforçando a sua autoridade. Ao ser tão assumidamente "contra-intuitivo" nas escolhas exalta o arbítrio idiossincrático de quem se não verga às evidências futebolísticas. Ao privilegiar alguns jogadores, deixando claro que a suas convocatórias resultam de um apadrinhamento pessoal que nada deve a modernices meritocráticas, Scolari semeia um sentimento de dívida cujo retorno lhe é fundamental. É esse sentimento de dívida que define um eixo de subserviência vital a um grupo que se quer domesticável. Assim, por exemplo, ao excluir sucessivamente Baía, Quaresma (no Mundial), Maniche, Caneira, etc, Sclorari pôde munir o grupo de cachorrinhos gratos e obedientes: Ricardo, Bruno Vale, Paulo Santos, Hugo Viana, Rui Patrício, Boa Morte, Helder Postiga, Jorge Ribeiro, Fernando Meira, etc.

Enfatizo os méritos na gestão anímica do grupo -- ainda que esses métodos dependam do uso da arbitrariedade -- por reconhecer pouquíssimos méritos técnico-tácticos no que tem sido o seu sucesso relativo à frente da selecção.

Primeiro, porque em 2004 e 2006 Scolari foi obscenamente tributário do papinha que Mourinho lhe fez no Porto. Na verdade, na preparação para o Euro 2004 ainda tentou levar avante as suas ideias. Retirou-as de cena, envergonhado, logo após o primeiro jogo com a Grécia.

Segundo, porque pugna por incompetências básicas: quase nunca assiste aos jogos dos clubes onde intervêm jogadores seleccionáveis (os fins de semana são para a família, justo); em tantos jogos de qualificação e preparação, nunca, repito, Nunca, experimentou, uns minutos que fosse, só naquela, jogar com o Ronaldo a ponta de lança; nas bolas paradas insiste em fazer marcações homem a homem quando, como dizia Mourinho num artigo desta semana, seria mandatório que uma equipa com a altura média de Portugal marcasse à zona (filme recomendado: Remembering Charisteias).


Terceiro, é impraticável olhar para as façanhas da Selecção sem tomar em consideração a matéria prima à disposição. Além de ter alargado dramaticamente o terreno de captação com as naturalizações (facto recente que eu apoio), Scolari tem disposto de um número inédito de seleccionados a jogar ao mais alto nível nos clubes. Octávio Machado arriscava-se a passar a fase de grupos. (Para não lembrar que o apuramento para o mundial está muito mais facilitado desde que a fase final se disputa com 32 clubes ou do apuramento garantido pela organização em 2004).

Vale a pena lembrar que em 2000, Humberto Coelho, técnico medíocre, só baqueou nas meias finais no prolongamento contra a França de Zidane, a campeã do torneio. Já agora lembremos a equipa desse jogo para que tenhamos a justa noção dos luxos hoje servidos ao grande timoneiro:

Vítor Baía: Vantagem sobre Ricardo (note-se que Baía esteve à disposição de Scolari até 2006/2007)
Abel Xavier: Vantagem para Bosingwa
Fernando Couto: Vantagem para Ricardo Carvalho
Jorge Costa: Vantagem para Pepe
Dimas: Vantagem para Paulo Ferreira
Costinha: Vantagem sobre Petit
Vidigal: Vantagem para Moutinho (ou Maniche)
Sérgio Conceição: Vantagem para Nani ou Quaresma (possivelmente para Simão)
Rui Costa: Vantagem para Deco (Sorry)
Figo: Vantagem para Ronaldo (Sorry)
Nuno Gomes: Vantagem para Nuno Gomes

120 anos

'Cá está a lição, ó alma da gente!
Se a mãe esquece o filho que saiu dela e morreu,
quem se vai dar ao trabalho de se lembrar de mim?'
Álvaro de Campos
Cá está a lição. Assim como nenhuma mãe esquece um filho que saiu dela.

Para as urtigas

[Tratado de Lisboa]


O povo, essa maçada.

O eixo das vítimas

'All three main agents of the War on Terror (the US after 9/11, Israel, the Arabs) see themselves as victims and use their victimhood to legitimize their expansionist politics. There is a way in which 9/11 came at the right moment to justify America’s aggressive military expansionism: now that we are also victims, we can defend ourselves strike back. The US/Israel alliance, this strange association of the most religious (developed) nation in the world insisting on the separation of religion and state, and the most irreligious people in the world existing on the religious nature of their state, can thus present itself as an axis of victims.' Slavoj Žižek, 2008, Violence: 107

Novo Clube

O anti-Chelsea.

Cenário pré-apocalíptico

Hoje quando me dirigi à secção de verduras do Pingo Doce na perspectiva de uma salada já não havia alface. É oficial, a crise existe. Não deixa de ser surpreendente como é que sociedades de compleição ateia se vergam tão humildemente às inevitabilidades e humores do Mercado. Vergados ao devir acumulativo dos accionistas, estamos todos a viver num Truman Show da especulação que ninguém comanda realmente.

Por muito que me chamem ingénuo, estou com o Miguel Vale de Almeida:

"não seria altura de começarmos a pensar numa grande, enorme manifestação contra a insanidade neoliberal que anda a destruir as nossas vidas?"



Alguém me explica

Onde é que se meteu o Tiago Galvão?

Dia da raça

"Hoje eu tenho que sublinhar acima de tudo a raça, o dia da raça" (sic).
Anibal Cavaco Silva. Sim, esse mesmo, o Presidente da República Portuguesa.

Turquia

Sejamos claros, se por um lado Ronaldo figura níveis escandalosos de futebol, de tal modo que fica difícil não ser vagamente venerado por quem lhe segue o jogo, por outro, é quase inverosímil estabelecer uma relação da ordem da devoção com alguém que vivifica uma tão marcada ausência de gravitas. Eu não consigo fazer nada disto.

P.s. Começo a ficar cansado dos "analistas impressionistas", fazedores de propaganda que avaliam o jogo a partir de umas quantas jogadas emblemáticas, normalmente as que aparecem nos resumos com honras de câmara lenta. Eu queria aqui dizer que Ronaldo-- versão futebol franciscano, é certo -- foi, mas de longe, o melhor jogador em campo no sábado. Pepe? Moutinho? Revejam o jogo, agora sóbrios. Não pensem que exulto, mas isto é mesmo assim.

Luis Filipe Vieira

"Quem viola leis deve ser punido" (...) O que me surpreende é o descaramento de algumas pessoas mais preocupadas em desfocar a realidade conhecida de todos."
(Luis Filipe Vieira sobre a exclusão do Porto das competições da Uefa). Luis Filipe Vieira deixou o Benfica em 4º lugar depois de despedir o treinador com que planeou toda uma época, porque, imagine-se, Fernando Santos consentiu um empate com o Leixões na primeira jornada. "Desfocar a realidade conhecida de todos", pois.

Que Luís Filipe Vieira apareça como o paladino da transparência e da ética no futebol é uma ideia capaz de fazer mais pelos meus abdominais que qualquer abtronic, mas tudo bem, está no direito de achar que o Porto deve ser punido. Agora, que apareça a perorar sobre a justeza de um processo da UEFA em que o Benfica é parte interessada é algo que lhe fica menos bem (repare-se no meu cuidado com os qualificativos, este blog pretende-se como a casa de todas as nações). Primeiro, porque só graças às conquistas europeias do Porto é que o terceiro (neste caso o ) classificado do campeonato português se pode apurar para a pré-eliminatória da Champions . Segundo, pelo papel triste em que coloca os benfiquistas compreensivelmente esperançados num apuramento na secretaria. Até as hienas sabem que quando o cadáver é quase certo mais vale esperar calmamente pela consumação, na sombra de uma árvore.

Velázquez


Hereges.

Ana Ivanovic


Oportunidade de emprego

Finalistas e estagiários de Direito, é mandar o CV para o Futebol Clube do Porto. Correm o sério risco de ficarem a chefiar o departamento jurídico.

Obama

"Obama é uma doença infantil pateticamente alimentada pela "esperança messiânica" da esquerda europeia, ainda mais infantil uma vez que o homem pouco tem de esquerda." É esta a tese dos lúcidos de serviço que nos querem proteger das nossas ilusões. Nada mais paternalista. Eles já perceberam que apoiar Obama obriga à ingenuidade de julgar que a Realpolitik americana se vai dissolver no ar; à ingenuidade de acreditar que se vão afrontar os interesses económicos instalados nos Estados Unidos; à ingenuidade de presumir que acabará o apoio militar a Israel; à ingenuidade de ver a retirada do Iraque como o toque de midas que trará hamonia à colónia. Na verdade, ingénuo é quem assim reputa os outros porque capazes de algum entusiasmo.

O facto é que basta ouvir Obama falar de política internacional, da importância de saber dialogar com os inimigos (sim, como o Mário Soares), da importância do multilateralismo (leiam as declarações dele sobre o Irão), da importância de tirar a religião da política, da importância de se acabar com chantagem do patriotismo e da insegurança, etc. para se chegar à brilhante conclusão que depois de Bush não é preciso um messias para fazer toda a diferença. Sim, a eventual eleição de Obama carrega vastas esperanças após 8 anos indecorosos de política americana. So what?

Lara

Que nem sempre a velhice vem devolver a ternura empenhada era a a tese central nos lamentos nocturnos da vizinha do 3º andar. Ficou claro para Lara que nenhum homem do fraque lhe poderia valer, a menos, claro, que disponível, ele próprio, para uns abraços.

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Postiga

A última palavra em paralelas:

Mas não nos precipitemos, Rogério, há que esperar muito de alguém que arrisca (aquele que seria) o linchamento mais participado da história de Portugal: