Playboy PT

Ouço no governo sombra que em 2009 Portugal contará uma edição nacional da revista Playboy. Alguém defende (seria o Mexia?) que o erotismo é coisa de somenos no eventual impacto cultural da revista, poderá tê-lo, isso sim, afirma, se a Playboy fizer jus a uma menos conhecida tradição de boa prosa. Curiosamente é precisamente no campo fotográfico que eu coloco alguma expectativa. Desde logo pela curiosidade em saber qual a iconografia erótica a ser adoptada. Se o modelo americano de luminosidade glamorosa, estilo photoshop explícito, com vínculo privilegiado às mamas; se o modelo brasileiro onde a afectação imagética dá lugar a uma estética mais crua, mais resolutamente carnal, e onde o anelo pelo bumbum secundariza grandemente a acareação às mamas.

Segundo, tenho curiosidade em verificar se a Playboy Portugal, à semelhança do que aconteceu no Brasil, contribuirá para tornar mais respeitável a exposição da nudez (aqui jaz a hipótese sociológica mais instigante: não, ainda não vimos tudo). Se assim for, poderemos ter trivializada a aparição de figuras públicas que doutro modo jamais tirariam a roupa para capas de revista. Isto é tão mais importante conquanto uma das narrativas eróticas mais persuasivas consiste exactamente no efeito de des-solenização (suponho que haja sites dedicados à matéria), enredo que exige a consistência de uma impossibilidade prévia.

Assim, aguardo por aquela que será a primeira decisão editorial de monta na definição da identidade da revista: a quem caberá a primeira capa? Sei que não me pagam para isto, mas sempre avanço com a sugestão majestática: Ana Ribeiro (jornalista, RTP).

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