Aquecimento global homo

A comparação entre a heterossexualidade e as florestas tropicais só pode fazer sentido se considerarmos que a homossexualidade, tal como a poluição ou o aquecimento global, coloca en perigo o património heterossexual da espécie. Vá-se lá saber porquê, mas à igreja católica não custa imaginar um mundo em vias de não procriação, um mundo em que os heterossexuais paulatinamente vão cedendo aos encantos do aquecimento homossexual do planeta. A questão é que esse receio mais não é do que a límpida sacralização da homossexualidade enquanto algo que, se tolerado, substanciará uma tentação irresistível e, portanto, capaz comprometer o futuro da espécie (aliás, a oposição aos contraceptivos percebe-se melhor agora, porventura uma forma de combater a diminuição da natalidade num mundo em que a heterossexualidade, pouco segura de si, está em fatal retracção).

Dar razão ao papa é ratificar a homossexualidade como algo próximo de um instinto fatal. O que até se percebe vindo de onde vem, ora, deixemo-nos de rodeios: o desejo homossexual (reprimido, mal dirigido) é constitutivo da ICAR e, por consequência, dos medos fantasmáticos que ela exporta para o mundo. O facto é prosaico: a mundividência da Igreja católica tem uma orientação excessivamente gay, teleologicamente falando.
Nem tanto ao mar, nem tanto à terra.



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