Exorbitar disfunções

Por estar ciente dos desequilíbrios do plantel e por perceber que Jesualdo não consta da lista de convidados à festa em que todos os anos se repartem as comissões entre os administradores da SAD e os empresários electivos -- aquilo que em linguagem desportiva se chama a "definição do plantel" -- bem tento entrar na cabeça do homem tomando como boa a hipótese de que ele define os onzes animado por algum tipo de racionalidade (apesar de tudo Philip K. Dick tinha uma cabeça mais acessível). Tem sido um esforço exaustivo e sinceramente sinto que desistiria não fosse o facto de esta violência empática me ter levado a descortinar um importante princípio lógico; refiro-me à identificação de um meticuloso plano de formação, em curso, pelo qual Jesualdo visa conferir rudimentos básicos de lateral-esquerdo a todos atletas legalmente inscritos no Futebol Clube do Porto (Benitez, Tomás Costa, Mariano Gonzalez, Pedro Emanuel, Fucile e Lino já fizeram esse módulo; Guarin, Hulk e Aurora Cunha aguardam oportunidade) .

O Sporting jogou melhor -- nada me custa dizer que merecia ganhar. O Porto, algo dependente do espírito combativo, de alguns lampejos individuais e da capacidade de aceleração do Rochemback, esteve, mais uma vez, obscenamente dependente da sorte. Até porque conseguiu ser a equipa mais roubada (note-se que Bruno Paixão coloca a fasquia muito alta), facto que, talvez injustamente, ajuda a mitigar a sensação de uma vitória injusta. À sorte da vitória, junta-se a sorte moral que faz do Porto a vítima verosímil do jogo de ontem. É muita sorte.

Pelo sim pelo não, no próximo jogo estarei prevenido com uma generosa caixa de Lexotan.



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