O Vice- Cônsul

Borges lembra-nos como Heitor pôde gritar a salvo da desonra: "o pudor estóico ainda não fora inventado".

Era ainda o tempo de bramir a desgraça sem preocupações estilísticas, era ainda o tempo de sofrer a coberto de nenhuma grandeza moral. Depois de Heitor é costume exagerar-se a pequena angústia em versos elegantes, enquanto que a grande desaparece escandida em silêncios de consistência estóica. Segundo versão corrente, o imitador moderno aplana a distância para o troiano já nas proximidades da loucura; afinal, como se sabe, a história pesa e ninguém faz pouco dos rigores da narrativa.



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