Momento da Verdade: versão Rita Ferro Rodrigues

Se bem percebo, Rita Ferro Rodrigues cumpre por estes dias a missão de interrogar os concorrentes do Momento da Verdade (a saber, Reality Show da Sic) no rescaldo do programa. Perante seres cujo perfil suicida se situa entre o ganancioso e o masoquista, Rita Ferro Rodrigues faz render o share em busca de explicações compungidas para toda a sorte de iniquidades, entretanto tornadas públicas (o programa baseia-se num mano-a-mano com o polígrafo) . Não me verão defender alguém que se voluntaria a expor a sua vida perante uma audiência nacional e, o que é mais, arrisca sujeitar cônjuges e familiares às mais candentes humilhações -- ainda que eu também agradeça o contributo para algum desmontar da ilusão urbano-intelectual sobre Portugal. Mas, sinceramente, irrita-me a superioridade moral a que alguns se arvoram para perorarem sobre as misérias dos outros.

Industriada na busca do contraditório, RFR junta as qualidades de diácona remédios com uma invulgar sobranceria (por exemplo, no outro dia interrogou os Gato fedorento como não se via desde Nuremberga). Há pouco, na entrevista a um jovem concorrente cujo menor dos pecados é fantasiar com a esfíngica sogra, RFR rematava com esta coisa deliciosa: "Errar todos erramos, mas temos é que saber aprender com os erros". Não querendo questionar os pergaminhos de santidade de RFR, cabe perguntar: mas o que é isto?



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