Scolari who?

Até disto tinha saudades: numa noite infeliz, poder sentir como minha a tristeza de Portugal. De repente até me lembrei das lágrimas daquela noite em que Marc Batta, ao bom estilo colaboracionista, expulsou o Rui Costa contra a Alemanha. Era para ser a noite da glória de Pedro Barbosa, a noite de um apuramento épico para o mundial. Na verdade, nem fui grande entusiasta da escolha de Queirós, talvez por achar que nunca conseguiu ser um líder de jogadores com mais de 21 anos: as passagens pelo Sporting, pela África do Sul e pelo Real Madrid deram a entender alguma dificuldade na relação emocional com maiores de idade. Mas, por agora, pelo saber táctico, pelo sageza das convocatórias, pela gentlemanship que tão bem se lhe adapta ao carisma, confesso que está a vencer as minhas reservas iniciais. As elegias guardam-se para os momentos difíceis e depois desta derrota quase lamentei não ter um cachecol verde e vermelho por perto. Não é nacionalismo, é a afeição quem vem de uma proximidade necessariamente contigente: que fique claro que voltarei a torcer contra Portugal sempre que um paspalho de bigode impeça identificações de maior -- alguém lá em cima haveria de lhe reservar o Apocalipse tópico na sua passagem pelo Chelsea, falo obviamente da lesão do Essien. É provisório, mas sentido: Queirós, estamos juntos.

P.S. Uma curiosidade: na análise prévia ao Europeu, Queirós baixou as expectativas de Portugal lembrando a ausência de um goleador e de um defesa esquerdo ao nível do resto da equipa. Freitas Lobo, justificadamente temeroso com a forma de Petit, discordou de Queirós. Segundo ele a posição 6, decisiva como é no equilíbrio de uma equipa, mostrava-se mais problemática. Percebe-se agora porque Queirós não via aí um problema: Raúl Meireles.



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