Paulo Bento

Não sem pesar, leio a entrevista de Jesualdo Ferreira ao Público. Não sem pesar, vejo a entrevista de Paulo Bento à SIC-Notícias. Que ambos se mantenham a salvo de respostas apetecíveis à cultura do espectáculo é coisa que já não surpreende: ambos pertencem uma importante escola de pensamento que se dedica à tradução do fenómeno futebolístico em lugares comuns. No entanto, para quem tivesse dúvidas, estas entrevistas mostraram à saciedade que o secretismo, a diplomacia e a protecção do grupo acabam por não ser assim tão importantes na contenção que os torna soporíferos a falar de futebol. Para entreter as gentes, além de umas histórias com informação privilegiada -- provavelmente menos cativantes do que as que compõem o delicioso livro do Octávio Machado --, Paulo Bento e Jesualdo Ferreira não terão muito mais a dizer do que aquilo. E aquilo é fraco que dói. Numa Liga Sagres desprovida de protagonistas que aliem o saber da poda à mínima graça no confronto com os media, não deixa de ser notável como futebol o fantasioso vai sobrevivendo nas mesas dos cafés tão órfão de poetas vividos.



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