Palin: Populismo ou mundividência

O Pedro Mexia tem toda a razão nisto. No entanto, invertendo a margem do Atlântico como ponto de chegada da comparação, rumo, claro, às eleições americanas, valerá a pena assentir que a linha entre uma mundividência (constitutiva da segurança ontológica) e o populismo eleitoralista tem dado por lá nota de franca elisão (frise-se que Pedro Mexia não diz o contrário) .

Por exemplo, cabe perguntar (como fez recentemente Teresa de Sousa no Público) em quanto do mundo de Palin é que McCain se consegue reconhecer. Lembremos, em favor da tese dos valores arreigados, que karl Rove vendeu Bush sem necessidade de lhe descaracterizar a visão do cargo. McCain poderia ser um conservador inteiramente identificado com as referências que Palin incorpora e não haveria nisso sombra oportunismo eleitoral. Como não parece ser esse o caso, e face ao dramático guinar no "factor experiência", não creio impertinente que neste momento se interprete o apelo a "guns, babies, Jesus" -- seriamente sintetizado na escolha de Palin -- como um límpido passo populista de McCain. Pelos vistos, com bons resultados.



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