Saturday II

Caríssimo Lourenço, concordo inteiramente com a tua demarcação: salvaguardado está o essencial. A minha nota, longe de apequenar o romance em função do simplismo das visões políticas do protagonista (isso sim, seria um forma de simplismo), parte contudo da sensação de que em Saturday o talento faz demasiadas cedências ao proselitismo político.

Como bem salientas, a construção da personagem e da visão política de Perowne são amplamente verosímis. A pequena chaga que a "vontade política" do autor transporta para o texto é, a meu ver, uma tendência para encostar à história e à voz interior de Perowne os meneios de uma retórica política, retórica essa cujos propósitos persuasivos estão porventura demasiado expostos. Diria que essa transparência não deixa de roubar alguma coisa ao romance.



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