Anti-herói


Vicente Moura, presidente do Comité Olímpico de Portugal, não está obrigado a ter sentido de humor ou sequer apreço pela arriscada arte da auto-ironia. Mas devia ter vergonha pelo oportunismo com que se prestou a criar um bode expiatório para ser apedrejado pela frustração nacional; devia ter vergonha pelo timing táctico no anúncio da sua demissão -- aquele risível simulacro de mea culpa: afinal teria sido má ideia "trabalhar directamente com as federações". O decano envergonhado pela idolatria da tribo regressa agora orgulhoso para colher a compensas do salto de Évora, sempre naquela astúcia manhosa de quem usa os bons e maus momentos dos outros para se manter à tona. Devia ter vergonha.



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