Pessoal

Ontem no debate quinzenal no Parlamento, ao evocar o "caso Câncio" para dar a Sócrates o exemplo daquilo que realmente deveria merecer o nome de cobardia política (facto), Francisco Louçã deixou-se levar por uma contenda pessoal a cujo lume as alusões à vida pessoal surgiram como um óbvio expediente de vulnerabilização do adversário. Que essa alusão fosse a citação de uma denúncia que a certa altura se tornou facto político poderia ser uma atenuante, mas não: a menção, além de gratuita no contexto da discussão, deu-se num momento em que todo o caso estava a sair de cena (na companhia dos seus vis protagonistas), pelo que nada justificava a sua recuperação.

Sócrates deveria saber que, diferentemente do que se passa na oposição, uma vez no poder o excesso de convicção facilmente se verte em arrogância anti-democrática. Por exemplo, é inadmissível que em sede de Parlamento nunca responda às questões do CDS-PP e do PSD levando ao extremo a jogada do "quando vocês estavam no governo". A questão é que a arrogância política combate-se politicamente e a tentação de explorar a vida pessoal de Sócrates, seja com premeditação política, seja no calor da luta (caso de ontem), além de pouco edificante , resulta num rotundo tiro no pé -- o que não deixa de ser um sinal de maturidade da nossa opinião pública.



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