PSD: Passos Coelho

Vista a entrevista em que a Ana Lourenço nos brindou com um sedutor ataque de tosse (não resisto ao simulacro de vulnerabilidade de uma beleza dominadora), estou em condições de proclamar a minha sentença: pela pose de credibilidade, pelo calo que traz do carreirismo político, pelo ar de novidade (as pessoas vão lá pelo ar), pela presença (a voz é muito boa), pela capacidade de comunicação, Pedro Passos Coelho vai chegar a líder do PSD. Agora ou depois da derrota eleitoral de 2009. Quero crer que não será demasiado prejudicado pela falta de currículo extra-político (a entronização de Sócrates está aí para provar a desnecessidade eleitoral de uma vida fora dos partidos). Mas não deixará de ser sintomático, a concretizar-se a minha profecia, que os líderes dos principais partidos portugueses venham directamente do viveiro das jotas.

Há um eventual senão: no que respeita ao papel do Estado na economia, Pedro Passos Coelho parece estar marcadamente à direita da linha -- tortuosa, às vezes inexistente -- dos anteriores líderes do partido. Como não se sabe muito bem por que valores é que o PSD se define também não sei muito bem até que ponto é que esse límpido posicionamento à direita representa uma ameaça à sua elegibilidade ou se, por outro lado, apenas quer dizer que a prazo o CDS se vai extinguir. Aguardemos.



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