Debate: PSD

Num debate em que o tempo que os candidatos passaram junto às cordas emerge como o factor mais significativo para qualquer avaliação que mereça a minha assinatura (letra de primária, já aviso), há que conceder: Patinha Antão e Santana Lopes ganharam.

O resultado foi ditado sobretudo pela contingência na dinâmica de grupo, coisa passível de ser definida por dois momentos que terão ficado retidos na memória dos militantes do PSD (o meu uso do relativismo passa por estes exercícios de empatia sacrificial).
Momento 1: Passos Coelho ficou encostado às cordas longo tempo por causa das suas propostas para a redução dos impostos. Santana Lopes e Ferreira Leite, expeditos, desdobraram-se em ganchos e uppercuts com um afã que, se continuado mais 30 segundos, supriria a reduzida espessura labial do candidato, detalhe que, diga-se, tem afastado Passos Coelho de uma presença mais consistente na capa da Ana Mais Atrevida.
Momento 2:
Ferreira Leite mal se mexeu (na verdade mexeu-se mal) sob as acusações de falta de solidariedade orgânica para com os maus momentos do partido. Santana a Patinha não se fizeram rogados em em performar com cândida exuberância a indignação do marido traído.

Santana Lopes fala do fundo do poço, uma vez aí o eco pós-decadente favorece-o sempre; creio que não o suficiente para ter hipóteses no Sábado. Patinha Antão fez o seu número e não se pode dizer que a coisa lhe tenha corrido mal. Do ponto de vista político (sentido estrito, nada que seja demasiado relevante), com o "ninguém vos ouve [no Parlamento]" Ferreira Leite deu uma oportunidade de ouro para que os deputados Santana Lopes e Patinha Antão pudessem aparecer com a honra a sangrar pela democracia parlamentar.

Se os contendentes mais sérios são Passos Coelho e Ferreira Leite, o debate terá sido mais favorável a Passos Coelho, mas este, em querendo apostar no conceito da cara nova, teria que mostrar mais energia e frescura. No modo como se prostrou, saiu envelhecido do comparativo por permitir que Santana Lopes indiciasse uma taxa mais elevada de stamina política.

Vejo os 2 golos do Gomis no jogo de estreia pela França e os meus pensamentos ficam, naturalmente, com o seu quase homónimo, Nuno Gomes.



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