Ronaldo

Após marcar um golo, Ronaldo hesita sempre entre a euforia, a pose majestática, a encenação da serenidade, e a comunhão colectiva. Como Cantona demonstrou, a pose majestática deve ser usada nuns poucos golos fantasmáticos e, sob nenhuma circunstância, desbaratada com golos de ressalto. Como Thierry Henry demonstrou (nos tempos do Arsenal), a encenação da serenidade exige uma stasis facial anatomicamente preparada. Quanto à euforia, ou bem que se tem um salto acrobático no portfolio ou mais vale rebolar e esbracejar, como uma criança, ao estilo do Inzaghi, um rapaz que tanto tempo depois continua à beira de um ataque cardíaco cada vez que põe as redes abanar. Já a comunhão colectiva exige que a diluição do heroísmo individual, no meio dos abraços suados, tenha um mínimo de sinceridade proletária, algo ao alcance de um Rooney, por exemplo.

A Ronaldo não só falta uma escola estilística na hora de festejar o golo como, com tanto golo para ensaiar, mistura as escolas sem critério e chega ao extremo de passar por toda a paleta performativa num mesmo festejo (as caretas são uma inovação atroz). Ronaldo não é ainda um jogador completo.

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