Palestina

"Terry Eagleton chamou recentemente a nossa atenção para a existência de dois modos opostos da tragédia: o grande Evento espectacular, a brutal irrupção de um outro mundo e a desoladora persistência de uma condição desesperada, de uma existência infeliz que prossegue indefinidamente, de uma vida vivida como uma longa urgência. É a diferença que encontramos entre as grandes catástrofes do mundo desenvolvido, como o 11 de Setembro e, por exemplo, a desoladora catástrofe permanente dos palestinianos da Cisjordânia. O primeiro modo da tragédia, o de uma figura que se destaca num pano de fundo «normal», é característica do mundo desenvolvido, ao passo que, em boa parte do Terceiro Mundo, a catástrofe designa o presente pano de fundo inamovível."
Slavoj Žižek, 2006, A Marioneta e o Anão
Não são só os ataques aéreos israelitas na tragédia persistente dos palestinianos. É todo um quadro de vida em que o abastecimento de alimentos, as deslocações territoriais, o consumo de energia e de água são determinados por Israel em função de uma incessante vontade de represália. Mais: essa vontade alimenta as condições da sua perpetuação. O desvario é tal que até já o Holocausto é usado como ameaça: "Israeli Deputy Defence Minister Matan Vilnai said on Friday the Palestinians would bring on themselves what he termed a bigger holocaust by stepping up rocket attacks on Israel from Gaza." Enfim.



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