Feminismos e MEC

Uma das modas da direita indígena é escarnecer o feminismo. A moda parece vingar até porque -- precioso capital simbólico -- não faltam por essa direita mulheres dispostas a falar mal das feministas. E depois há também aquelas mulheres que, não sendo de direita, não perdem uma oportunidade para falar mal das feministas conquanto isso represente um pretexto para, em abstracto, falarem mal de outras mulheres (a inevitável boca machista, shame on me).

No fundo é uma forma de dizerem, a seu modo: "vejam como é que eu cheguei aos píncaros sem meter cunhas à meritocracia, vejam como, ao contrário dessas outras mulheres, as feministas, sou toda boa e/ou extremamente feminina". O que para muitos parece constituir um choque é que, falando de mulheres, o reconhecimento injustiças de género não não acarreta processos sumários pelos quais se extingam a vaidade feminina ou a confiança nas próprias capacidades. (O uniforme de algumas feministas que conheço passa por indecentes tops sumários.)

Dito isto, não posso deixar de salientar este texto da Ana Margarida Craveiro. Vindo de onde vem é sem dúvida um statement que vale a pena relevar. Já agora, deixo-vos também um outro texto. O autor? Um perigoso esquerdalha, Miguel Esteves Cardoso:
"(...) O que interessa é defender, nos tempos que correm, a honra e a pertinência das feministas portuguesas. Já não suporto ouvir mais uma jovenzinha empertigada dizer que é «feminina» mas não «feminista», que isso dos movimentos de mulheres eram coisas dos anos 60 que já passaram, e que aquilo que importa agora é afirmar a personalidade, independentemente de se ser homem ou de se ser mulher.
(...) Será mesmo preciso que um velho machista como eu venha publicamente arruinar a sua reputação e dizer que em Portugal quem tem um mínimo sentido de justiça é quase obrigado a ser feminista?" MEC, As Minhas Aventuras na República Portuguesa.



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