Avulsos

---"bruno, meu, em vez de andares aí em trocas de postezinhos com chavalitas armadas em virgínias woolfes, punhas o olho nestas maravilhosas citações tuas que eu ando a escrever há uma carrada de dias e que tu não ligas um caralho; ok?" Desfazedor de Rebanhos
Em primeiro lugar vale a pena reparar na refinada estilística que separa "caralho" de "ok" com um ponto e vírgula (sem link para o Casanova, sou um groupie em negação) para depois rematar com um inflamado ponto de interrogação. Um mero detalhe neste ínclito® cultor da língua. Mas o que mais me emociona é, sem dúvida, o gesto cénico que finalmente traz às linhas da blogosfera uma cena de ciúmes, mais, o que é melhor, com todos os seus preciosos ingredientes: maledicência, asneirada, queixume, exigência e (claro) analogias literárias.

Não conhecesse eu há anos a estaleca do António, pelas linhas que lhe visito, creio que este post bastaria para lhe fixar as credenciais. Suponho que era uma personagem da Jane Austen que dizia (cito de cor): "a resignação atinge o seu auge quando aquilo que nos é negado perde o seu valor". Os egos demasiado sensíveis jamais admitem o ciúme. Perante qualquer afloramento de despeito preferem menosprezar o agente da ignomínia a acusar o toque.

O facto é que, ao contrário do que supõe a citação acima, na maior parte das vezes, a resignação é algo de narcisicamente construído, construída como uma defesa que nega valor às pessoas para des-importar, a posteriori, o valor dos seus gestos. Resignação com desprezo é, frequentemente, a única saída para egos demasiado senhores de si. E é nesse contraponto que uma justa medida de ciúme aparece como a forma de generosidade da parte alguém que se assume como senhor(a) de si, e não só: "acuso o toque, expondo as vísceras do ego, para não ter que negar importância a quem o inflige". Embora falho de razão (I've a watchful eye), só posso agradecer ao António pela generosidade vertida neste belo momento de "ciúme em post". Um senhor, pois claro.



<< Home