Alfa

Ao meu lado no Alfa sentou-se uma senhora bonacheirona pelos seus cinquentas. Visivelmente cansada por um dia exigente, acabaria por adormecer acidentalmente no meu ombro. Algo atrapalhado, entre o constrangido e o enternecido, deixei-me ficar numa imobilidade só perturbada pelo gesto cuidado com que ia virando as páginas do livro. E assim ficámos desde o Entroncamento até Pombal, altura em que, aparentemente sem se dar conta da pose do sono, acordou para atender uma chamada.
Quando saímos em Coimbra sorriu-me entre malas, não exactamente como quem se despede de uma almofada. Mas algo próximo.



<< Home