Dakar blues

Por muito mal que estivesse preparado, facto não raro, nunca gostei de chegar à escola para receber a notícia do adiamento de um exame. Onde os colegas viam uma oportunidade para finalizarem a matéria ou para a relerem pela 6ª vez, eu só via a pura a traição sabe-se lá de quem. Uma segunda oportunidade resulta em tédio quando eu já só quero ser atirado à arena dos leões com a convicção redentora do leite atrás derramado. Portanto, mesmo com as ameaças de terrorismo, eu estaria pior que estragado se o meu nome figurasse na grelha de partida para o Dakar. O desperdício de adrenalina é uma das formas mais elementares da tristeza.



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