Aquele cigarrinho

Muito tem sido dito em relação ao impacto da nova lei do tabaco sobre o movimento "café puxa cigarro". Em desabrido contraponto haveria aqui um silêncio a ser assinalado, meu propósito inicial, mas, pensando bem, não há. O facto é que por causa de uma outra lei, mais antiga, não haverá quaisquer repercussões sobre aquele cigarro que muito boa gente apõe ao coito (desconheço se há quem fume um cigarro após a masturbação, mas entrevejo aí uma coreografia icónica do auto-comprazimento). Não se pode legislar sobre o que não existe e para todos os efeitos em Portugal não há sexo em espaços públicos, não há pessoas sujeitas a apanhar o fumo pós-coito enquanto trabalham (não sei se há quem fume um cigarrinho com as prestadoras de serviços sexuais pagos, mas entrevejo aí uma coreografia icónica do fumo passivo), nem há quem fume na cama enquanto trabalha (não sei se os clientes e as trabalhadoras sexuais partilham umas baforadas no final, mas entrevejo aí uma coreografia icónica da cumplicidade entre oferta e procura).



Don't smoke in bed
por Nina Simone

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