Folha

Caríssimo Francisco, outros considerandos à parte, o artigo de Boaventura Sousa Santos a que aludes está longe de ser uma apologia de Chavez (e muito menos uma apologia ingénua). Podes ler aqui na íntegra conforme foi publicado na Folha de São Paulo.

P.s. Aguardo com serenidade que tomes de posição sobre o escândalo Anderson.
P.s2. Anderson: FJV diz de sua justiça.

Lidl





Teremos sempre o Jorginho.

Porca Miséria (act.)

Espero que esta notícia seja rapidamente desmentida. 25 milhões de euros é o que vale um jovem brasileiro promissor que esteve uma época lesionado e que nunca chegou a fazer uma época completa na Europa. Não o Anderson. Seria estupidez: pelo timing, pelo óbvio colosso mundial que ali se percebe (em 4 anos é bola de ouro, contra as vossas apostas). Nem a patética Sporting Sad/loja dos 300 fazia um "negócio" destes.
Sr. Jorge Nuno Pinto da Costa, se tal de facto aconteceu - e sublinho este se - fico numa posição difícil para o voltar a respeitar.

P.S. Aconteceu. Nem uma época jogou. Bem, basicamente estou na merda. Agiotas. Bem podem ganhar outro penta à custa de Jorginhos que eu vou ali e já volto.
P.S 2- A Liga Portuguesa para mim acabou. Chega de lamentações, há que olhar o futuro. Agora é esperar que Quaresma seja rapidamente transferido para a Premier League e pedir ao Luís Freitas Lobo que deixe de gastar linhas com jogos de solteiros-casados.
P.s 3- Afinal o Anderson foi vendido por 31 milhões de euros e não 25 (25 corresponde aos 70% do passe). É um encaixe financeiro mais condizente, no entanto a frustração de o vermos partir sem jogar sequer uma época de azul não passa assim. E daí podemos sempre fazer do Katsouranis o bode expiatório de serviço.

















"ainda te lembras da minha mão?"



- Michelangelo Antonioni/ Stderbergh/ Wong Kar-Wai

Literalismos

Sempre que vou a entrar numa casa de banho assinalada com Gents é como se caminhasse para uma ordália decidida previamente contra mim. Não me arrogo a gentleman e sinceramente gostaria de poder usar os urinóis locais sem o peso da culpa.




















Gong Li

Taça

Muitos e sinceros parabéns, gentes de Alvalade.

P.s. Ontem foi uma amostra: prevejo sem assombro que Moutinho não irá render na difícil posição de mais bem pago do plantel. Ou bem que fazem dele um número 10 ou esqueçam o voluntarismo fátuo daquele futebol obsceno baseado em correrias do tempo da escravatura. Espero que o gerente de conta ajude a salvar um jogador cuja actual margem de progressão fatalmente o levará para a jurisdição de Moniz Pereira.

Vale a pena dar uma olhada

Precauções ergonómicas básicas para quem passa muito tempo ao computador.

Nenhuma filantropia. Post darwinista, blogo-competitivo, em nome da sobrevivência dos leitores mais aptos.

Leggings

É uma tragédia urbana, as inglesas pouco investem numa indumentária passível de sugerir algo das mamas ou do rabo. Para elas tudo se passa como se as expressões do erotismo público se reduzissem à apresentação das pernas na vida de todos os dias. Desde a roupa de trabalho, até aos carnavais diários pré-pub -- em cada fim de tarde -- tudo é uma comovente questão de pernas. Neste Maio de dois mil e sete vive-se com desmesurada fúria o advento dos leggings, normalmente usados com uma mini-saia suficientemente comprida para esconder o rabo e suficientemente curta para que não se desgrace um centímetro de perna. O outro pormenor é a maquilhagem, uns bons quilos de base para o efeito sotinco são um must que poucas dispensam.

PNR/RTP

Que critério jornalístico leva a a RTP 2 a convidar o líder do PNR para o seu principal programa de informação a propósito das eleições intercalares de Lisboa? O brandir representatividade partidária será provavelmente o argumento. Agora, com um pouco de seriedade à mistura, interessa pensar porque é que a televisão pública divulga, sistemática e desproporcionadamente, todo o que é acção de um grupúsculo de expressão eleitoral residual cujos valores constituem uma agressão ontológica para centenas de milhares de telespectadores. É muito estranho.

Chavez goes to hollywood

Notícia aqui. Depois do fecho de um televisão privada chega agora a Propaganda de Estado via cinema. Nada de bom vem da proclividade totalitária desta esquerda.

Mas também é verdade: depois do promissor Amistad ter redundado num episódio das "Teias da Lei", não é sem expectativa que vejo anunciar-se um épico sobre a libertação anti-esclavagista.

Não vi mas recordo

Avenida da Liberdade percorrida de azul em festa. Sim, sempre o disse, Lisboa é uma cidade belíssima.

P.s. Pronto, pronto. Não havendo comentários a fazer amanhã à final da Champions, o futebol fecha a loja por uns tempos.

E se eu fosse Cego? narrativas silenciadas da deficiência

E se Eu Fosse Cego? narrativas silenciadas da deficiência (2006) [PDF Download]


E se eu Fosse Cego: Narrativas silenciadas da deficiência

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Realismo trágico

Diz sir maradona:
"Não temos nada. A unica taça europeia que ganhámos foi extinta pela Uefa e a outra final a que fomos perdemos na nossa própria casa com um clube russo, valha-me deus! Acha que isto é normal? Que um gajo veja sair o melhor jogador da década de oitenta para o Porto a custo zero e o melhor jogador da década de 90 por 400 mil contos para o Barcelona? Que os ultimos dois grandes jogadores que formámos tenham dado um campeonato ao Benfica (Simão) e outro ao Porto (Quaresma)... acha isto normal? Pelo amor de deus, há que ter pena de nós mesmos, um mínimo de humildade, cristo."
Acrescento: Também não é normal que o outro, o Ronaldo, quase já não tenha jogadas de verde e branco naquelas colectâneas que aparecem no youtube -- com músicas horríveis -- em jeito de best of. Na colectânea de fim da carreira não terá nenhuma. Se o Sporting não consegue segurar talentos e dar-lhes um mínimo de uso (ou pelo menos deixá-los inflacionar) a questão de vender terrenos e prédios só peca por minimal. O futebol não se compadece com gestões profissionais e projectos de futuro. Se for preciso vender a academia de Alcochete para segurar um novo Quaresma que dela surja convém não hesitar.
P.s. Ler: "Fazemos outros" - Ideologia Sportinguista - um caso empírico.

06-07

Nem quero lembrar. Até ao precioso golo de Lisandro, aos 52 minutos, os dois últimos jogos valeram-me momentos de mais pura agonia. Este campeonato, até pela excelente prestação dos contendentes, pródigo que foi em lesões e repelões exibicionais, fortemente afectado pela eliminação da taça, tem mil vezes mais sabor do que a passeata do ingénuo Co Adriaanse. No fim, com a inevitável aflição emocional instalada, perpassou o espectro de uma inversão dramática capaz de fazer do Sporting campeão. Não aconteceu, mas podia ter acontecido. E nesse caso, obviamente desgraçado, dobrar-me-ia, como dobro, ao fantástico final dos de Alvalade. O momento de arrepio: ouço na rádio online a multidão agraciar em êxtase a entrada em campo de um tal Vítor Baía.

P.s. Sim, Tiago, confesso: eu estava completamente acagaçado. Mais: até sonhei com o assunto (uma vitória do Aves e assim).
P.s. Grato pelos muitos parabéns aqui chegados.

Imagem d'O Jogo

Golo

Que suplício.

Dar Sangue

Diz o Vasco Barreto:
O caso dos homossexuais discute-se com números e não deve fazer parte dos combates entre conservadores e gente pró-fractura. Deixem os números falar. Se a percentagem de homossexuais infectados com HIV é mais elevada que a percentagem de homossexuais na população e se há uma relação causal entre a prática homossexual e a transmissão do HIV, há motivos para os excluir. O facto de o sexo anal não ser exclusivo da prática homossexual não é um argumento fundamental. O importante é olhar para a percentagem de infectados (para a sua evolução e para cada país). Ponto final.
Vírgula. Fica-se com a clara sensação que o Vasco Barreto não leu ou não quis perceber o texto da f. que inclusivamente linka no seu post anterior, assim se deixando embarcar nas facilidades de partida. Vasco, sempre que uma pessoa vai dar sangue é submetido a um inquérito onde lhe é perguntado se teve práticas sexuais de risco ou se esteve envolvida em situações de risco acrescido. E nessa altura a pessoa responde sim ou não. E perante essa resposta é excluída ou não. Parece-me relativamente evidente que o rastreio deva ser feito com base em comportamentos individuais e não em estereótipos preguiçosos (ou que afinal talvez lutem militantemente pela sua sobrevivência). A pertinência da pergunta sobre a homossexualidade continua por explicar. Se o Vasco duvida da honestidade dos respondentes, tampouco é por aí: está-se mesmo a ver que em Portugal é mais fácil alguém dizer que tem relações com homens do que simplesmente admitir que tem comportamentos sexuais de risco. Isto claro, a menos que o Vasco tenha notícia de sérios estudos genéticos que na mais refinada neutralidade científica procuram perceber se há uma relação entre a homossexualidade e a capacidade de perceber o que é um comportamento sexual de risco.

P.S: Ler a resposta do Vasco na Adenda.

As 10+

Sharapova: enjoy. [uma foto por lista]

A minha lista (a ordem não é alfabética)

Ingrid Bergman
Laetitia Casta
Jennifer Connelly

Gong Li

Eva Green

Claire Forlani
Charlize Theron
Taís araújo

Juliana Paes
kristin Scott Thomas


AMZ

1- Catherine Zeta-Jones
2- Sofia Loren

3- Michele Pfeifer
4- Cindy Crawford
5- Diana Pereira
6- Linda Evangelista7- Penelope Cruz
8- Sahkira
9- Adriane Galisteu
10- Judite de Sousa

Branca Toledo

Marguerite Duras,
Penélope Cruz,
Anaïs Nin,
Georgia O'keeffe

Laura Harring
Maggie Cheung
Madeleine Peyroux
Brigitte Bardot

Nina Simone,
Lhasa de Sela.


CC

Sharapova ménage-à-cinq com:
Aung San Suu Kyi
Kristin Scott Thomas
Connie Nielsen
Gong Li.

Dr. Etcétera

Monica Bellucci
Luana Piovani
Hilary Swank
Eva Mendes
Emmanuelle Béart
Laetitia Casta
Eva Green
Ana Drago
Brigitte Bardot
Jenna Jameson

FL

Monica Belucci
Laetitia Casta
Scarlett Johanson
Helena Christensen
Uma Thurman
Gisele Bündchen
Fiona Apple
Beyoncé Knowles
Naomi Watts
Gong Li


Francisco Curate

1. Laetitia Casta
2. Mónica Belluci
3. Penelope Cruz
4. Audrey Tautou
5. Holly Valance [Nika Volek, Prison Break]
6. Alexandra Lencastre
7. Kristin Kreuk [Lana Lang, Smallville]
8. Willa Holland [Kaitlin Cooper, The O.C.]
9. Kirsten Dunst
10. Gemma Atkinson

Helena Velho

1.Paris Hilton
2.Merche Romero

3.Shakira
4.Pamela Anderson
5.Cher
6.Jessica Simpson
7.Fátima Lopes( a estilista!)
8.Mónica Sintra
9.Ana Malhoa
10.Zita Seabra


JPT

0. diana ross (eterna)
1. angela basset
2. queen latifah
3. serena williams
4. venus williams
5. eva mendes
6. kerry washington
7. jennifer lopez

8. naomi campbell
9. halle berry
Poster
10. katherine hepburn


Menino Mau
1.Kyla cole
2.Elle Mcpershon
3 Soraia Chaves
4.Sylvia Saint
5 Vanessa Williams
6 Salma Hayek
7 Denise Richards
8 Catarina Furtado
9 Lucy Lui
10 Daniela Ruah


Miguel Marujo

1. Monica Bellucci,
2. Scarlett Johansson,
3. Laetitia Casta,

4. Emmanuelle Béart,
5. Juliette Binoche,
6. Jennifer Connelly
7. Adriana Lima,
8. Naomi Watts,
9. Kate Winslet,

10. Jenna Jameson.

Rita

Hillary Clinton
Sophie Marceau

Gwen Stefani
Mónica Belucci
Scarlett Johanson
Naomi Campbell
Svetlana Khorkina
Angela Merkel
Halle Berry
Angelina Jolie
[Sophie Marceau]

Rita S.

Beyoncé Knowles
Cameron Diaz

Charlize Theron
Denise Richards
Jessica Alba

Juliana Paes
Monica Bellucci

Scarlett Johansson
Ségolène Royal
Sophia Loren

Tiago Barbosa Ribeiro


Eva Green,
Jennifer Connelly
Charlotte, Princesa
Gisele Bündchen
Scarlett johansson


Velhina Adventista

1.Calista Flockhart (Ally McBeal)
2.Cameron Diaz
3.Benedita Pereira
4.Deborah Secco
5.Maria Sharapova
6.Natasha Henstrigde
7.Natalie Portman
8.Sandra Bullock
9.Daniela Cicarelli
10.Cláudia Borges (êxtase, sic)

























Rachel

"A woman can´t suffer twice." Daphne du Maurier
A certa altura no My Cousin Rachel surge este aforismo de fino recorte. Philip é reduzido à sua insignificância pela voz de Rachel: "A woman can´t suffer twice." A questão não é que ela não o ame -- que não ama -- a questão é que ela, uma mulher mais velha, já passou por lá -- e lá não volta.

Se é verdade que à partida uma mulher está mais vulnerável a ser violentada pelo desamor (um mito cultural que não interessa aqui desconstruir) também é verdade que, fazendo das fraquezas defesas, não mais torna às profundezas -- uma mulher sofre logo tudo, diz-nos Rachel. No caso dela, já sofreu. Temos pois que Philip já não podia aspirar a fazer sofrer Rachel, uma mulher irremediavelmente endurecida. Ora, sadismo à parte, não há tampa mais requintada do que essa: "desculpa, mas acho que não me ias conseguir fazer sofrer o suficiente."

Os coletes florescentes

"... Por exemplo, na rua, onde cresceram os tais grandes craques, jogavam todos de igual, com a roupa de casa ou até sem camisola. Para ver quem era da nossa equipa, era preciso levantar a cabeça, para ver a quem estávamos a passar a bola. Nas academias e escolas modernas, o usual é jogarem com coletes florescentes para se distinguirem bem as equipas. São de cores tão berrantes, que, a certo ponto, o passe é feito para o vulto, quase sem tirar os olhos de chão. Tirem os coletes, portanto e joguem de todos de igual. Como na rua. Verão como serão obrigados a levantar a cabeça –principio básico para jogar bem futebol- e fazer o passe correctamente." Luis Freitas Lobo

Ajudar a Sharapova a esquecer o Putin II



A pedido de muitas famílias, o apelo renova-se e assume outros contornos. Trata-se agora de escolher 10 mulheres que no vosso entender fariam a Sharapova esquecer o Putin e, de caminho, quem sabe, converter-se ao lesbianismo. Tenho umas ideias, mas, como imaginam, isto requer alguma meditação. Na sexta-feira, altura em que coligirei todas as listas que me fizerem chegar (via comentários, e-mail, technorati, à vossa escolha), revelarei também a minha lista.

P.S. Sob promessa de lealdade à "vossa lista", se quiserem espreitar está aqui:
a recente eleição da FHM.

Pergunta

Então o Jesualdo Ferreira não tinha deixado de fumar? É que ontem, em 15 minutos, vi-o fumar mais ou menos 3 maços.

23

Depois de Ian Thorpe largar as "barbatanas" aos 24, é a vez de Kim Clijsters dizer adeus ao ténis nos seus 23. Não sei bem explicar porquê, mas seduz-me de sobremaneira esta senda de desportistas investidos numa uma espécie de mitologia rimbaudiana.

Som e sentido

Catre.

Alegre, Roseta e outros umbigos

Eu gosto do umbiguismo. Não é por acaso que tenho um blog que corteja a confessionalidade, nem é por acaso que sou interessado leitor dos intimismos por aí afora. Num sentido mais vasto gosto de ver as razões pessoais valorizadas na vida pública, os bastidores onde se contam aquelas outras coisas por que as pessoas se movem (esqueçam a indústria tablóide, isso é outra conversa).

Portanto, tinha todas as razões para achar imensa piada a gestos políticos como os coreografados pelas candidaturas de Manuel Alegre e Helena Roseta. Ilustres militantes de um partido que, vendo defraudada a ambição pessoal de serem "protegidos" do aparelho a uma eleição, ressentem, batem com a porta e seguem a via independente. Tudo bem. Excelente, mil louvores. Agora o que é risível é que depois venham mascarar as suas razões pessoalíssimas de uma luta pela cidadania contra os partidos -- onde estavam no dia anterior. Temo que esta politização populista do amesquinhamento do ego se possa transformar numa pandemia. Daqui em diante sempre que um socialista receber uma tampa não é improvável que crie movimento cidadão contra o predomínio das gajas boas na vida social portuguesa.

P.S. Vamos ver se Roseta mantém este discurso risível de uma cruzada contra os partidos. Dizem que dá votos.
P.S. Até determinada altura acreditei que Alegre genuinamente lutava por um projecto de esquerda contra o centrão do PS. Depois da campanha das presidenciais passei a tê-lo como uma anedota populista, talvez ligeiramente à esquerda do PP.

Toponímias pretensiosas

A rua onde vivo por estes tempos chama-se Alma Road.

A inglesa Madeleine: retaliação nacionalista

Começo a não ter paciência para as vozes que em Portugal alinham pelo discurso do "se ela fosse portuguesa..." Entendamo-mos, é chocante que o uso dos recursos de investigação possa ser condicionado pela nacionalidade e impacto mediático da criança desaparecida. É chocante que a gestão das forças de segurança esteja tão notoriamente sujeita a ordenanças políticas sem critério.

Mas, deixemos de ser cínicos, a bitola tem que ser esta e não o contrário.
A haver algo de exemplar não são as negligências do passado. Se há algo de exemplar, pelo menos em prontidão e disponibilidade de meios (não falo do comportamento pericial nem da comunicação com os media), é o que se passou com Madeleine. É isto que eu quero ver ser feito à próxima criança portuguesa que desapareça, é isto que eu quero ver ser feito à filha de um emigrante ilegal. Comparar sim senhor, mas por muito que arrogância inglesa irrite era de largar esse inconfesso desejo de querer nivelar por baixo.

Ler

Rui Tavares, Público (texto completo aqui)

O preconceito é assimétrico. Para a maioria nunca é um tema assim tão importante. Quando a minoria somos nós, a coisa é diferente. Não há nada que não tenha sido contaminado. Na altura dos motins foram bem divulgadas as pesquisas oficiais sobre a prevalência do racismo latente. O mesmo currículo tem três vezes mais hipóteses de ser aceite quando o nome é Jean-Claude Dupont em vez de, digamos, Ibrahim Yassin. Muitos patrões franceses preferem deixar uma vaga por preencher do que contratar árabes ou negros (...)
Sarkozy achou que o racismo latente poderia ser reconvertido em votos e ganhou.

Louvor e inveja

Deixou-me a pensar esta troca entre a f. e a Laura Abreu Cravo. Ali se fala no que haveria de homofobia numa suposta dificuldade das mulheres para reconhecerem qualidades umas nas outras.

Intuo que se fala de algo bem familiar ao que ia nesta confissão do Julinho, lida há dias atrás:
"os [autores de blogs] presumivelmente masculinos tendem a injectar-me venenosa inveja, e os presumivelmente femininos deixam-me maior margem para refastelada admiração."

Seja no reconhecimento da escrita , seja na valorização de outras qualidades, parece que somos vigiados por uma dimensão de "competitividade intrassexual". Creio que este pasto para a inveja assume, culturalmente, cambiantes diversos nas relações entre mulheres e entre homens. Ainda assim permanece a persuasão de um corpo de valores que fomenta competitividade no olhar para o mesmo sexo.

Concordo por isso com a Laura Abreu Cravo quando intui um condicionamento (conquanto o tenha cultural) que, pela subjacente relação de inveja, constrange o elogio público de uma mulher a outra. A réplica da f. parece-me inteiramente perspicaz, mas cabe distinguir o reconhecimento daquilo que chama 1) homofobia, enquanto constrangimento hegemónico e que, portanto, que não deixa de estar lá e 2) a sua capacidade pessoal para se furtar a esse constrangimento.

Este interessante exercício a que aderiram vários homens, ou este, é instrutivo dessa postura que tem tanto de pós-homofóbica (reconhecer outros homens bonitos) como de ego-descentrada (reconhecer que os cabrões são mais infinitamente mais bonitos que eu - isso é que dói).

Madeleine

"O psicólogo Luís Villas-Boas acusou, esta segunda-feira, de irresponsabilidade e negligência os pais da menina inglesa desaparecida quinta-feira de um complexo turístico da Praia da Luz, perto de Lagos, apesar de compreender a angústia dos pais. (...) Este tipo de atitude não é portuguesa, até porque não temos história de raptos nem de situações desta violência, sendo que os maus-tratos e a negligência em Portugal reduzem-se normalmente aos familiares."

Há pessoas com uma notável sensibilidade humana. Os pais da criança neste momento sofrem em angústia ante a forte possibilidade da Madeleine ter sido raptada por uma rede de pedófila. E o que é que, quando questionado pelos media portugueses e britânicos, nos tem a dizer o ilustre psicólogo Villas-Boas?

Naturalmente, havia que começar por culpar as vítimas. Não discuto a possível negligência dos pais. Mas tenho séria dificuldade em perceber que raio de psicólogo puxa pelos galões e faz declarações públicas com esta oportunidade. Pensará porventura que não chega a culpa inevitavelmente sentida pelos pais numa circunstância destas? Há que bater enquanto o ferro está quente, que se lixe o desespero e a vulnerabilidade emocional dos pais: é a pedagogia à queima roupa. Isto não é de um psicólogo ou de um educador, mas de um carrasco egocêntrico, inoportuno e profundamente insensível.

Sarkozy, Maio de 2007

Os franceses elegeram o seu novo Presidente da República. A avaliar pela comoção na direita pátria os franceses só pecam por defeito: exultam sem preocupações de transcendência. Lourdes aparte, logo se percebe que os franceses têm falta de olho para as aparições. Sorte que temos os «'liberais' portugueses», um Messias não lhes escapa com facilidade.

Referendo

O movimento pela independência da Madeira conta neste momento com uma forte base de apoio. Só não sei o que é que os madeirenses acham da ideia.

Premier

Boulahrouz ensina como enterrar uma equipa num piscar de olhos. Aos 43 minutos faz uma fífia, oferece um penalty ao Arsenal e é expulso. Mourinho, que já começara o jogo com uma pletora de indisponíveis, entre os quais se contavam notavelmente Dridier Drogba, começa a segunda parte a perder fora com 10 jogadores.

Temos portanto o Chelsea, uma equipa que desde a lesão de Ballack não faz um jogo decente (o prolongamento com o Liverpool ainda foi o melhorzinho que se viu), absolutamente precisada de ganhar para evitar que o Man United se sagre automaticamente campeão.

Quem não teve a oportunidade a assistir aos segundos 45 minutos provavelmente não vai entender o arrepio que aqui me traz. Aliás, quem não teve a oportunidade de assistir aos 45 minutos da segunda parte devia parar para pensar no que anda a fazer da vida. Trabalhar, passear as crianças, fazer outras, conhecer novos lugares, aproveitar a natureza, dormir a sesta, votar nas eleições francesas, tudo programas decentes, facto. Mas quem não teve a oportunidade de assistir aos 45 minutos da segunda parte perdeu bem mais do que 45 minutos de antologia trágica. Ou mais ou menos isso. Como é que uma equipa esfrangalhada, alvo da chacota abutre de tudo o que é comentarista desportivo nesta terra, se alevanta a tais alturas é algo que nenhum aturado conhecimento da pessoa de Mourinho (o que desde logo devia ser dado nas escolas) ou do futebol do Essien permite compreender.

Para quem liga ao rigor da história cabe informar que o Chelsea não foi além de um empate e que o Manchester a esta hora deve estar a festejar o título da Premier League.

Programa da máquina

Desligam o rádio quando estacionam num lugar apertado?

Não é fácil um "blog temático" manter-se cativante ao longo do tempo. Digo temático em sentido lato, na verdade, digo mal. O que eu queria dizer é um blog que se restringe a um tema ou que repete uma fórmula de escrita. Curiosamente é nesses expedientes de rigor programático, apartados que estão da actualidade e das vagas temperamentais dos autores, investidos que estão em capitalizar a minúcia frugal dos nossos dias, é nesses expedientes, dizia, que mais tenho encontrado um respeito pelas humildes delongas e trejeitos da vida de todos os dias. Assim de repente lembro o Melancómico, o Azeite e Azia, o Perguntar não Ofende e a Passagem Estreita.
Celebro, pois, um registo de militância contra-épica de que sou leitor silencioso.

P.S. Agora vou à "casa das máquinas" aqui do sítio tirar a roupa da máquina de lavar. Não, não estou a tentar ser contra-épico. Na verdade, foi hoje a minha primeira vez.

Dêem-me um ponto de apoio...


Missão: ajudar a Sharapova a esquecer o Putin


Aqui vão então as listas anunciadas:

A minha (uma possível, ordem alfabética):
-Adrien Brody
-Ben Harper

-Chico Buarque

-Clive Owen
-Dominique Villepin

-Maldini
-Ralph Fiennes
Tony Leung Chiu Wai
-Vítor Baía

-Warren Beatty


Boss:
- Alexei Nemov
- Andriy Shevchenko

- Dean Phoenix
- Ewan McGregor

- Frédéric Michalak
- James Purefoy
- Kevin McKidd
- Mathew St. Patrick
- Patrick Wilson

- Thierry Henry
suplente: Matthew Rhys


Branca Toledo:
- Corto Maltese
- Brad Pitt
- Johnny Deep
- Paul Auster
- David Fonseca

- Milo Manara
- Perry Blake
- David Lynch
- Bono Vox
- Mário Cesariny

CC
1 - Tony Leung
2 - Takeshi Kaneshiro
3 - Andy Lau
4 - Tony Leung
5 - Takeshi Kaneshiro
6 - Andy Lau
7 - Tony Leung
8 - Takeshi Kaneshiro
9 - Andy Lau
10 - Tony Leung



Francisco Curate:
1-Brad Pitt
2-George Clooney
3-Gregory Peck
4-Marlon Brando
5-Jorge Luís Borges
6-wentworth miller
7-Ricardo Araújo Pereira
8-Liedson
9-João Moutinho
10-Miguel Veloso



Inominável
- Willem Dafoe;
- Gael García Bernal
- Rosalinda Celentano;
- Robbie Williams;

- Ney Matogrosso;
- Carla Bruni;
- Frida Khalo;
- Monica Belluci;
- Sean Pean;


Helena Velho
1.Alberto J.Jardim
2.J.Carlos Malato
3.Jose Eduardo Moniz
4.Manuel Pinho
5.Fernando santos
6.Pinto da Costa

7.Mario Crespo
8.Jose Pedro Vasconcelos
9.Pedro Arroja
10.Rogerio Samora


Rakel
1- Wentwoth Miller
2- Damien Rice
3- Brad Pitt
4- Eddie Vedder
5- Peter Krause
6- Matthew Fox
7- Chico Buarque
8- Jude Law
9- Ashton Kutcher
10-Paolo Maldin


Ricardo
- Marlon Brando
- Rodrigo Santoro

- Peter Krause
- Brad Pitt
- Mark Vanderloo
- Al Pacino

- Fabio Cannavaro
- Julian Casablancas
- Johnny Depp
- Bob Dylan


Susana
- Wentworth Miller
- Bono Vox
- Eddie Vedder

- Patrick Dempsey
- Johnny Deep
- Rodrigo Santoro
- Vitor Baía

- Jude Law
- Josh Hartnett
- Brad Pitt

FL
1- Hayao Myazaki
2- Edward Norton
3- Roger Federer
4- James Gandolfini
5- Michael Jordan
6- Spike Lee
7- Johnny Depp
8- Homer Simpson
9- John Coltrane
10- Jimi Hendrix

amz
1- Corto Maltese
2- Marlon Brando
3- George Clooney
4- Mourinho
5- Ricardo Araújo Pereira
6- Rodrigo Santoro
7- Sean Connery
8- Joaquin Cortez
9- Humphrey Bogart
10- Antonio Banderas

Da beleza de Ségolène

O primeiro debate entre Ségolène e Sarkozy deu-se em 1993 (podem ver excertos aqui). Descobri esta pérola pelo CAA de quem discordo numa coisa fundamental, uma questão fracturante: a Ségolène de 1993 não é mais bonita que a de 2007. A Ségolène de hoje, ao contrários dos chavões da praxe, não é bonita por estar "bem conservada", ou seja, não é bonita apesar da idade. Essa abordagem reproduz o centrismo contemporâneo hegemónico na vinculação da beleza à juventude. O que se celebra é, portanto, o que há ainda de "beleza jovem" num corpo menos jovem. Pois, para mim Ségolène é lindíssima na idade que tem, bem envelhecida, abastecida de vida. E se querem saber o que eu penso (digo à mesma), Ségolène é mais singularmente bonita em 2007 do que em 1993.

Rescaldo do debate

Bayrou assegura que não votará em Nicolas Sarkozy: "Neste momento não sei o que farei, mas começo a saber o que não farei"
Mais no Le Monde.

Sarkozy vs Ségolène Royal: o debate

Vídeo aqui (em 3 partes).

Os debates não se compadecem com a inerente bondade das ideias, dependem sim da capacidade telegénica de se passarem essas ideias como boas a bem do perfil político de quem as profere.
Ante uma Ségolène cuja performance não se livrava de um nervosismo miudinho e da consequente dificuldade em ser mais "naturalmente" escorreita, Sarkozy, ensaiadíssimo, seguro e calmo, levava clara vantagem até ao último quinto do debate (nisto discordo da leitura optimista da Ana Gomes). É nessa altura em que se forja um momento paradigmático: veio a propósito da inclusão das crianças com deficiência no sistema regular de ensino.

Ao tentar escapar a uma fase menos boa em que vinha perdendo ascendente (exactamente no debate das escolas), Sarkozy brandiu a possibilidade das famílias colocarem o Estado em tribunal sempre que os seus filhos com deficiência encontrassem barreiras no acesso ao ensino regular. É então que uma Ségolène, vinda de não sei onde, bem vinda, com uma têmpera que não lhe suspeitávamos, bela têmpera, acusa Sarkozy de pura imoralidade política. Explica. Havia sido a própria Ségolène a criar uma ambiciosa estrutura de auxiliares educativos no apoio à inclusão, estrutura essa que, sob forte contestação das associações de pais, foi drasticamente desmobilizada no governo de que Sarkozy fez parte. O homem visivelmente entalado, pose para o galheiro, recomendou calma a Segolène, mas esta, sempre com o dedo apontado, reclamou o seu direito à raiva reiterando-se irada perante a imoralidade política da demagogia de Sarkozy (creio não distorcer o ocorrido, podem confirmar a partir do 43 minutos e 40 segundos da terceira parte do debate).

Num debate que corria de feição a Sarkozy, este momento, também pelo contraponto à sinceridade na raiva de Ségolène, poderá ter tido a capacidade paradigmática de desmontar algo do populismo de plástico no ethos de Sarkozy. E daí talvez seja o meu wishful thinking.

Eu votava Ségolène sem ter de virar a cara para ou lado. Já as esquerdas puristas, já se sabe, só muito a custo: pouco se comovem com o espaço de manobra consentido pelo adversário ou pelo clima sociopolítico de expectativas. Recriar as estruturas de contingência implica a capacidade prévia de as saber considerar nas micropolíticas.

Mourinho's

Arriscava dizer que em Portugal o Chelsea tem mais adeptos que o Benfica.

(Parceiros de sonho de Sharapova)

Leio e abismo. A Sharapova, uma excelente rapariga que até já me deu a ganhar uns trocos, faz-me reequacionar a bondade do conceito de consentimento informado entre maiores. Ela pode ter mais de 18 anos mas -- vai ver que é dada a taras com animais e outras bizarrias --, mas tremo só de pensar no que poderá informar aquela jovem libido. Não sei se me choca mais, se o Putin se o Orlando Bloom.
Top Ten (Parceiros de sonho de Sharapova)
1. John McEnroe
2. James Bond
3. Vladimir Putin (Presidente da Rússia)
4. Príncipe William
5. Cristiano Ronaldo
6. Adam Scott
7. Lebron James
8. Yao Ming
9. Bono Vox (U2)
10. Orlando Bloom

Convido as leitoras, e os leitores pois então, que façam chegar ao e-mail deste blog uma lista que se apresente para efeito de ulterior publicação.