Publicidade/Amo-te

Facto: no que a rentabilidade económica diz respeito, a maioria dos bloggers não aspira a qualquer lucro. Isto não quer dizer que o horizonte de retorno se esgote na vaidade fundadora de ter leitores. O que se passa é que os blogues -- como muitos outros projectos editoriais -- tendem a privilegiar a influência em detrimento do lucro. Tal como o lucro, a influência granjeada constitui uma forma de poder passível de ser "investida" num sem número de modalidades. E nessa leva devo dizer-vos que nenhum uso das prerrogativas da influência me comove mais do que o brandir de afectos a céu aberto. Embora eu não seja grande useiro da prática, considero que (na justa medida) o uso do blogue para declarações de amor, declarações de amizade, pedidos de perdão, dedicatórias públicas, são compensas nobilíssimas para quem dá o coiro no mister de teclar. Com inteira propriedade o Daniel Oliveira justificava a inclusão de publicidade no seu blogue com a ideia de que a médio prazo os blogues devem tornar-se auto-sustentáveis. Imagino que a semi-profissionalização dos bloggers acontecerá quando o Bruno Paixão puder viver da arbitragem. Entretanto, o que me encanta mesmo é ver os anúncios do google adiados, relegados por recados ao patrão e cortejos à filha do homem do talho. O sustento motivacional da escrita tem uma extracção tão vasta que para sermos precisos talvez seja abusivo falar em amadores na bloga. O doce fruito colhe-se das mais variadas maneiras. Graças ao blogue e à filha do homem do talho há muito boa gente que nesta hora dorme com a cama aquecida e a arca cheia de entrecosto.



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