Moderado

Diz JPP: «E também, imaginem, o "meu" clube, na forma mínima como me dou com o futebol, é o Futebol Clube do Porto...»

Sem que eu conseguisse perceber bem porquê, este excerto interpelou-me como uma das frases que mais assombro me causou no ano de 2007. Primeiro pensei que o insólito estava no facto trivial de que estamos impreparados para conciliar as reiteradas posições anti-futebolite de Pacheco Pereira com a confissão de uma afeição clubística, ainda que leve. Mas não é por aí; até porque faz todo o sentido, concedamos: uma pessoa indigna-se com o protagonismo que o futebol assume na vida pública e nem por isso deixa de adormecer a sonhar com trivelas (o que também não será bem o caso).
Depois de muito cansar a moleirinha, lá percebi. O pormenor que faz desta narrativa confessional uma modalidade insólita é o retrato de alguém que é do FCP e que, simultaneamente, assume uma relação mínima com o futebol. A verdade é que, no nosso senso comum, "ser do FCP" equivale a participar numa cultura de excesso devocional na qual o futebol é, quase obrigatoriamente, vivido sem mesuras. Doravante, quando me chamarem fanático como sinónimo de portista, lembrarei o exemplo de Pacheco Pereira, o portista moderado.

Já agora, vale a pena ler a corajosa crónica na íntegra.



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