Festa da família

Lucas 8; 19-21: " E foram ter com ele [Jesus] sua mãe e seus irmãos, e não podiam aproximar-se dele, por causa da multidão. E foi-lhe dito: Estão lá fora tua mãe e teus irmãos, que querem ver-te. Mas, respondendo ele, disse-lhes: Minha mãe e meus irmãos são aqueles que ouvem a palavra de Deus e a executam."
Ainda percebo a parte de se celebrar o nascimento de Jesus numa cultura marcadamente judaico-cristã. Mas, de resto, é tudo muito estranho, diria mesmo, sinistro . E não me venham com a história, agora consagrada, de que era uma bela festa da família que entretanto foi barbaramente corrompida pelo selvagem capitalismo. A persistência de uma pureza original sobre a festa da família é já ideologia. É tão absurdo o pretexto das prendas dos reis magos para a voracidade consumista, como é absurda a passagem do Natal bíblico para a festa da família. Factos: estavam lá Maria e José. Nasceu Jesus. Uma família: mãe, filho e pai afectivo. Depois vieram os estranhos: magos do Oriente, pastorinhos que ali cirandavam, algum gado de circunstância. Seguindo o fio ao texto comove-nos tanto a generosidade desses estranhos como o périplo de José e Maria. Mas no que se fez do Natal há uma radical escolha. Nada mais selectivamente construído do que a romantização da família e a consequente arregimentação, (vagamene eugenista) que se cumpre na consoada, segundo vínculos de sangue e matrimónio.



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