Charros

Voltei a confrontar-me no outro dia com esta questão. Como é que um gajo tão avançadamente à frente como eu, para mais cultor dos mundos xamânicos, se abeira da orla dos 30 sem ter fumado um charro? É sem dúvida uma das questões que mais faz latejar de incerteza este princípio de século (sempre desejei ter um blog cuja linha editorial me pudesse ter como prioridade na contemporaneidade). Algumas hipóteses de resposta:

1- É ilegal (começo com uma piada)
2- "A minha cultura é a do álcool" (com as devidas distâncias, permitam-me que me sinta em casa na frase lapidar de Vasco Pulido Valente)
3- Sou dado a vícios e uma vez neles entrado estou desgraçado. Por isso dou corda a poucas coisas com reconhecível compleição de vício (p. ex. nunca instalei jogos no meu pc, não vejo séries que agarrem (com excepções), deixei de ver novelas antes de deixar de gostar delas, raciono a compra de caju nos 3 quilos por mês).
4- Escolho os vícios em vez de os acumular (tampouco tenho pretensão de os extirpar)
5- Por nunca me ter iniciado no tabaco nunca aprendi a "travar" (parece que para os charros é um "gesto anatómico" basilar)
6- Por nunca ter aprendido a travar, sempre contei com o espectro do ridículo a adjuvar-me quando era o momento de dizer "passo"
7- Numa inversão dramática, a partir de certo momento, o nunca ter fumado um charro emergiu, nos círculos onde me movo, como uma excentricidade prestigiante comparável a saber a Odisseia de cor (sou muito sensível a glórias imerecidas).



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