Paulo Assunção e Lacan

O cúmulo do low profile.

A tecnologia que a UEFA põe agora ao serviço dos jogos da Liga dos Campeões permite saber quantos quilómetros cada jogador corre em campo. Nos jogos com o Marselha, Paulo Assunção foi o jogador que mais se esfoliou em suor fazendo um total de 24 km: 12 km em cada jogo. Os números não são em si mirabolantes, lembro-me que o Deco teve um jogo épico em que correu no total 14 km.

O que a mim me impressiona é o tanto que um jogador pode pôr de si em campo na plena consciência de que raramente aparece no jogo que os adeptos vêem. A questão, minhas senhoras e meus senhores, a questão é que em dois jogos o Paulo Assunção correu 24 km para -- basicamente -- cortar linhas de passe. Disse cortar linhas de passe, não disse cortar passes (o que também faz de quando em quando).

Ou seja, este homem esfalfa-se a criar condições de impossibilidade ao jeito de um real lacaniano que se oculta da formação do sujeito que define. Ele é o negativo de um jogo que não chegou a acontecer porque sentenciado na "infância". Muitas histórias se perdem sem que dêmos pelo alvor da sua não-existência. No caso: felizmente.



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