Mulheres bonitas e outros textos

Percebo muito bem aquilo a que o Francisco José Viegas se refere quando aponta as perversidades do patrulhamento ideológico. É uma sensibilidade que acompanho e compreendo nos limites excessivos que às vezes regulam a livre expressão (no início, quando eu postava mulheres bonitas, havia quem me chamasse sexista -- já passou --: acho mal e injusto). Mas acompanho também, e muito mais de perto, as sensibilidades das minorias. Acompanho e de algum modo incorporo: vale um exemplo: creio que ainda não me libertei completamente da conotação agressiva e insultuosa da palavra "preto", talvez por a ter experimentado amiúde na infância como o arremesso das outras crianças. "Branco", como se intui, nunca foi um insulto na economia de poder simbólico em que nos situamos).

Há uma questão de feridas e do uso sensível dos discursos da hegemonia que não passa assim (refira-se que em muitos dos casos o humor usa as palavras da hegemonia ridicularizando-as numa paródia do opressor; os textos sobre paneleiros do maradona, por exemplo, são isso mesmo). O problema é quando acreditamos na ilusão da simetria ou nos fazemos crer que não há feridas abertas. Não obstante a alta conta em que guardo o Francisco, um liberal da melhor casta, concordo com quase tudo deste excelente texto do Daniel Oliveira.



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