Liverpool:4

Quando olhamos para os últimos plantéis do Porto, reparamos que há uma política bem definida para os centrais. Não se contratam jogadores feitos -- como a necessária maturidade para o lugar normalmente exigiria --, mas investe-se, outrossim, em jovens que valem pelas suas características atléticas : velocidade, altura, impulsão.

A parte chata é que as primeiras épocas são algo dolorosas para o normal adepto portista, como sabemos, pouco dado a maldizer a mãe de jogadores da casa. Não sei se se lembram da dimensão do descalabro nos anos de estreia dos agora consagrados Pepe e Bruno Alves. Pois, Stepanov é mais ou menos mesmo filme (pelo menos o início desastroso está todo lá). Se no primeiro ano Pepe era um virtuoso em fífias e Bruno Alves um habilidoso tanto em agressões como em comprometer por omissão, já Stepanov distingue-se em arte variada, um jogador completo: penaties despropositados nos últimos minutos do jogo, falhas de marcação calamitosas, agressividade bipolar na disputa de bola, etc. Stepanov perde tesão ao pôr o preservativo em relações futebolísticas de óbvio risco e assim vai errando entre a impotência e a virilidade desavisada.

Sejamos pragmáticos. Stepanov teve um treino de luxo com ampla margem para enterrar. Sem drama: o Porto perdeu e está em primeiro. Na verdade, os exemplos de Bruno Alves e Pepe fazem-me ser moderado nos insultos, sinal que estou disposto a aprender alguma coisa o dirigismo indígena (6 milhões são 6 milhões).

Pedia só que nos fossem expondo ao Stepanov com alguma parcimónia: de tempos a tempos coloquem-no no banco, na bancada ou então adaptem-no a alguma posição em que não esteja tão à vontade para se "mostrar". O regularíssimo Pedro Emanuel é lento e já mal consegue saltar. É, portanto, o jogador ideal para enfrentar o Benfica no sábado.



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