Durão

o excelentíssimo presidente da comissão europeia, após ter reconhecido o logro das armas de destruição massiva (logro em que caiu, primeiro, e que ajudou a vender, depois), afirma sorridente que Portugal não tem que estar arrependido por ter apoiado a invasão do Iraque.

Que Durão Barroso anuncie não estar arrependido é algo que não nos pode surpreender. Não tanto por ser um optimista patético no seu paroquialismo interesseiro: isto diz bem mais do seu carácter e dos escrúpulos com que percebe a política (a mesma falta de escrúpulos que o levou a deixar Santana Lopes no governo para aceitar um cargo que Guterres havia tido a decência de recusar em circunstâncias análogas). Mas ao vir agora confortar-nos, paternalista, alegando que devemos estar contentes, seja porque se deixou enganar, qual otário, seja porque alistou Portugal entre os Estados que apoiaram o desastre, Durão Barroso está a pisar perigosamente a linha que separa o realismo político do insulto à comunidade que um dia o elegeu.



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