Ana Moura

Talvez porque me faltem cá dentro as cordas que o fado deveria fazer vibrar (por exemplo: não sei se o épico com que Amália me rouba o arrepio é ainda fado ou apenas "a voz da Amália"; o que me muito me instiga na Cristina Branco é exactamente o que nela escapa ao fado, etc.), talvez por ser falho nessa sensibilidade, dizia, a voz da Ana Moura pouco me diz.

E seria isto que e teria a dizer se me detivesse no centrismo musical de que frequentemente enfermamos na apreciação de timbres e modulações vocais. Mas, lá está, porque eu sou muito à frente, sempre disposto a atravessar as fronteiras do episteme vigente, sempre rendido ao encanto do trivial e assim, continuo, corajoso, intrépido, a acrescentar linhas a este post. Explico ao que venho. O que realmente me causa não pouco deslumbre na voz da Ana Moura -- ao nível da mais sincera comoção -- é o que acontece quando ela simplesmente fala, quando ela põe aquele vozeirão de ao serviço de uma singela conversa. Afiram com os vossos ouvidos. Cara Ana, não leve a mal, mas cantar para quê?

P.s. É digno de nota que eu tenha conseguido escrever este post sem recorrer ao trocadilho "canta-me a falar". Os comprimidos começam a produzir algum efeito.



<< Home