Amantes uterinas

Houve um tempo, diz-se, em que as mulheres engravidavam para agarrar homem. Seria um golpe clássico cujo modus operandi no tempo prévio aos contraceptivos nunca percebi muito bem. Talvez os abraçassem para impedir as manhas do coito interrompido disfarçando enlevo romântico no prazer. Adiante.

Vou-me apercebendo, por estes dias, mais marcadamente em moçoilas passadas dos 27, de algo diametralmente oposto ao clássico "engravidar para casar". Desencantadas com o namorado ou pouco crentes na própria verosimilhança de relações duradouras, muitas das minhas contemporâneas (que bela expressão) forçam-se, ainda assim, ao ideário do casal, apenas para armarem a benquista logística da maternidade. O nível de consciência deste fenómeno na longa duração relacional é variável, mas creiam-me: cada vez mais mulheres suportam os seus homens para terem filhos.



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