Sicko


O filme que valeu a Moore os elogios da Fox News (está tudo parvo, mas enfim). Como bem se reitera no filme, isto de "medicina socializada" às vezes é menos uma questão ideológica do que de tradição nacional, basta ver o que é que os conservadores canadianos ou ingleses (Thatcher e quejandos) pensam do assunto. Adianto-vos: é um filme precioso.

Se fosse americano o que mais me marcaria seria sem dúvida a comparação com o Reino Unido, tão afins noutras matérias mas tão resolutamente opostos na conversa da saúde. Este abismo deveria permitir ao liberalismo anti-estatal e fundamentalista a graça de se pôr a pensar em termos menos simétricos aos das experiências comunistas (repudiam Marx, mas sem saber adoram o Hegel da história esquemática ou transcendente). No filme alguém repete o que há tempos aqui escrevi sobre da forte impressão que sedimentei na Ilha: se alguém tocasse no National Health Service seria a revolução. Isto mesmo. Vivendo em Portugal dou-me em pensar que não valorizamos o suficiente o Serviço Nacional de Saúde que temos e, sobretudo, que não nos indignamos o suficiente com quem se propõe a escavacá-lo. Vocês sabem de quem é que eu estou a falar.



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