Flor Bela de Alma da Conceição

Há pouco tempo, passeando-me numa livraria local, tropecei num lapsus linguae que foi assim como uma epifania. Umas estantes ao lado, um rapaz sugeria à namorada que comprassem como prenda um livro da Floribela Espanca (sic). Meio zonzo e incapaz de me manter em pé, dirigi-me logo ao balcão da livraria -- o do bar, pois claro -- a fim de dose dupla de bebida destilada.

Alguém acabava de estabelecer em bom português a ligação entre o século XIX (século em que nasceu a poetisa) e o século XXI, um século marcado pela presença avassaladora da cultura de massas (não é só pelos livros das celebridades televisivas que a cultura de massas coloniza o meio literário). Essa interpenetração entre épocas e formas de cultura (alta e baixa, para usar os termos polémicos) ficou sumamente cristalizada.
Floribela Espanca. Adorno precisaria de umas 300 páginas para dizer o mesmo.



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