Roupa na corda

Agosto. Comigo desamparado em vastas tarefas domésticas e com os vizinhos ausentes, a fachada traseira aqui do prédio veste-se de uma graça estival: roupa fora de moda disseminada sem critério aparente pelos estendais (fora de moda no sentido em que nunca esteve dentro). Mas o critério existe, bem, pelo menos existe uma origem comum. É que o meu jeitinho para estender roupa levou a que durante as semanas de Agosto as peças do meu parco vestuário se espraiassem, sem apelo, nas cordas da vizinhança de baixo. Para mim o início de Setembro é pois o tempo de ritual de reclamar a roupa que resta pelos andares afora. Uma máquina de secar urge? Talvez. Mas temo sinceramente pela sobrevivência dos vizinhos. É que de outro modo não vejo como poderão continuar a existir.



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