"Decisão Pessoal"

Na colecção de factos da novela que hoje encontrou o seu desfecho, muita comunicação social preferiu abster-se de sequer mencionar a saída de Paulo Teixeira Pinto do Opus Dei. Esse pudor parece cumprir a respeitosa separação entre o público (os jogos de poder no maior banco privado português) e o privado (a vida confessional dos protagonistas); o que, face aos "abusos de intimidade" que por aí se vão vendo, até seria de saudar. No entanto, ao contrário de muitos casos em que a análise das esferas privadas das figuras públicas coreografa um voyeurismo vagamente pulha, na "trama BCP" ficamos com a sensação de que o suco da história ficou deliberadamente por contar.

O elemento perturbador na definição das fronteiras prende-se com a própria teologia da Opus Dei, organização onde a fé e a confissão, senda privadas, reclamam por fortes correlatos públicos. Paulo Teixeira Pinto tomou uma decisão pessoal, estamos em crer, quando deliberou sair da Opus Dei. Depois de tanta gincana pública, depois de duas assembleias-gerais que foram abertura de Telejornal, depois da arregimentação táctica de accionistas de parte a parte, não deixa de ser uma revelação subtil que agora Paulo Teixeira Pinto refira razões pessoais para abandonar o BCP.

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