Mourinho

No tempo que recentemente passei na Ilha confirmei suspeitas antigas: os ingleses, sem excepção, estão pateticamente apaixonados por Mourinho, mesmo, ou talvez sobretudo, quando dizem mal dele. A ambivalência que tomava conta do "Inglês não adepto do Chelsea" assumia mais ou menos estes termos:
"Like many football fans, I loved and hated Mourinho. But that must be to his credit, because initially I just hated him. And I didn't want to like him. It felt wrong."

Recordo por exemplo, do episódio do cão, aquele em que Mourinho fez pouco das autoridades. Pois bem. Editoriais, debates na rádio, conversas de pub: todos o acusavam, mas sempre com aquela ponta de admiração mal disfarçada. Amor e negação, pois. Com a partida do infame, secretamente adorado por uma sociedade colonizada sob o aparato discursivo da sua missão vencedora, é toda uma cultura do espectáculo de que os ingleses ficam irremediavelmente privados. Uma orfandade que perdurará. Por isso, falar de um charisma void na sociedade inglesa é dizer o mínimo. Quanto aos adeptos do Chelsea, para esses, enfim, os meus pêsames. Como dizia o outro, "dizem que passa, mas..."



<< Home