Mourinho (act.)

(No momento em que acabo de escrever este post de circunstância o B. avisa-me que o Mourinho já não é treinador do Chelsea. Bem, devo-vos dizer que me percorreu calafrio místico. Talvez eu seja afinal um xamã a passar ao lado de uma grande carreira)

A dolorosa verdade é que Mourinho se sobreadaptou ao futebol inglês. Ressentem-se os resultados, mas sobretudo as exibições. É por estas que falo. É triste de ver o Chelsea jogar naquilo que é uma absoluta caricatura do futebol da Ilha. Futebol directo (o lance típico são os pontapés do Čech para o Drogba), 11 feito de médios centro ad nauseum, extremos rápidos ao serviço de automatismos que pouco lhes aproveitam a técnica criativa. Quase nos esquecemos que o Mourinho que ganhou a Champions tinha espaço para um obsceno "brinca na areia": Carlos Alberto, lembram? Já para não falar do Deco, nessa altura um número 10 sem o estreitamento proletário a que Ronaldinho o obrigou no Barcelona.
Queixa-se Mourinho das lesões. Pudera, quem o manda montar uma equipa à imagem do poderio e entrega física do Essien? Aquilo até para o Essien é violento. Vemos o Manchester abastecer-se de fantasistas e ficamos com a sensação de que Joe Cole é o máximo de criatividade que o futebol do Chelsea consente. Até pode ser que "Jose" ganhe a Premier pela via da combatividade e pelas suas capacidades únicas de liderança. Mas, há que dizê-lo, o futebol de Mourinho há muito que não se recomenda.

P.S. Na televisão aquela apresentadora gira continua a falar com o António Tadeia como se depois da demissão do Mourinho o mundo pudesse fingir algum tipo de normalidade.
P.S2. Mourinho, já sabes, serás recebido de braços abertos.



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