Jesualdo: não tergiversarás

Depois do período que se seguiu à eliminação da Taça de Portugal, no ano passado, Jesualdo Ferreira mostra porque é que é basicamente um burro. Já devia ter aprendido que uma equipa arrisca muito mais no "desgaste moral" de ser precocemente eliminada do que no desgaste físico que um jogo possa trazer a alguns titulares.

É por estas e por outras que Jesualdo nunca será um treinador capaz de valorizar suficientemente a vertente motivacional do jogo. O 11 que Jesualdo pôs hoje a jogar é da ordem da tragédia: Nuno, Fucile, João Paulo, Stepanov, Lino, Bolatti, Kazmierczak, Leandro Lima, Mariano, Farías e Rui Pedro. Bem, espero que acabem de rir.

Mas perceba-se a lógica do homem: teoria das compensações. Para compensar o facto de não dar minutos de jogo aos reforços (alguma promessa que fez à Nossa Senhora), atira-os todos para o campo de uma vez, talvez para ver se ganham experiência em lidar com o caos forjado pela sua própria estupidez.

A invés, dizem os livros, deve-se promover uma entropia sempre alimentada pelo maior calor produzido pela equipa titular; os novos vão-lhe apanhando o labor, pouco a pouco, sem que a sua entrada seja tão notada que baixe dramaticamente a temperatura da equipa base e, tomando-lhe o quentinho, tornam-se produtores desses mesmos altos níveis. O que sucedeu esta noite foi a total ausência de uma matriz à qual os menos rodados se pudessem agarrar. Se a ideia era perder à primeira eliminatória não entrassem na Carlsberg Cup, permitissem ao comum adepto a manutenção de alguma dignidade ante a burrice alheia.

De uma assentada Jesualdo permitiu-se a eliminar o Porto da Carlsberg Cup e a traumatizar, com imerecido sentimento de culpa, vários jogadores que tiveram hoje a primeira oportunidade de jogar a sério. Brincar assim com a moral dos reforços custa muito dinheiro.



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