"Vira à sinistra na rotunda ao pé da Makro"

Esquerdo: "esta palavra [provém] do basco ezker («metade da mão», ou seja «má mão», por a terminação basca –erd significar «imperfeito») — o termo suplantou na Península a palavra derivada do latim sinistrus (em castelhano siniestro, em português sinistro), depois de durante muito tempo ter com ela concorrido."*
Aparece-me deveras curioso que uma palavra tão corrente e central na nossa língua nos venha do basco, esse insólito linguístico. Na verdade o basco/euskera é a única língua não indoeuropeia da Europa ocidental. Supõe-se que constitua testemunho de um tempo anterior à ocupação da Europa pelos povos indo-europeus. Os linguistas já tentaram estabelecer aproximações com as línguas camito-semíticas, como o berbere, com várias línguas ameríndias e até com o japonês. No entanto a hipótese mais sustentada aponta para uma ligação possível as línguas do Cáucaso, área geográfica de onde seria originário o povo linguístico que se espalhou pela Europa no período pré-Indo-europeu. Aliás, esta suspeita de ancestralidade comum esteve na base da geminação entre Bilbao e Tiflis, a capital da Geórgia.

*Walter, Henriette, 1996 (1994), A Aventura das Línguas do Ocidente: A sua origem, a sua história, a sua geografia, trad. por Manuel Ramos, Lisboa: Terramar. [grato pela sugestão]




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