Pet

Liv Ullmann:
"Eu tinha uma cadela que se chamava Pet. (...) Ingmar [Bergman] entrou na sua vida e a desconfiança foi grande, de parte a parte. Ele tentou subornar amigos meus para o ajudarem a livrar-se de Pet. Pediu-lhes para a levarem para uma rua com tráfego intenso, para a enviarem para um repouso final num veterinário, ou deixarem-na do outro lado da cidade. Mas ninguém concordou. Perseguíam-se os dois, furiosamente pelo meu apartamento. Um dava pontapés, o outro mordia. Nunca mais tive permissão para lhe dar palmadinhas, ou mostrar qualquer tipo de carinho enquanto ele estava lá, e ela rosnava, ao ver Ingmar pegar na minha mão.
Quando me mudei para Farö, Pet acompanhou-me mas foi uma hóspede muito mal aceite. Recebeu o menor armário no corredor da cozinha, como lugar de dormida. A sala de estar estar estava fora do seu alcance. Tivemos que trocar carícias às escondidas, quando ele estava na praia, ou no seu estúdio. (...)

Quando deixei a casa, cinco anos depois, estavam os dois juntos, à porta. Pet cheirava o chão, talvez estivesse um tanto envergonhada pela sua traição. Agora, ouço dizer, que ela, já com quinze anos, fica deitada na escrivaninha dele, quando novos guiões estão a ser escritos"Liv Ullmann, Mutações



<< Home