Vai!

Não vai.


Amigo senhor, saravá, Xangô me mandou lhe dizer
Se é canto de Ossanha, não vá, que muito vai se arrepender
[canto de Ossanha, Vinícius de Moraes]








É verdade. Ultimamente ando um portista entre o crítico e o desencantado. Ora, basta ir a um café para perceber que para dizer mal do Porto temos todo um país acotovelar-se ao balcão. Por isso, sem prescindir das prerrogativas de quem sabe já ter vivido em melhores tempos, contem comigo para o que aí vier. Começamos com um boicote à Tap?

Dizem-me com razão que o Lucho está sobrevalorizado. Mas já vos digo que é assim mesmo. Ele jogará sempre menos do que aquilo que achamos que lhe seria possível. A explicação até é prosaica. O facto de Lucho jogar menos do que vale, ao contrário do que se fez crónica corrente, não decorre do matricial sub-rendimento físico (pois, isso também). O que sobrevaloriza Lucho dá pelo singelo nome de "classe". Ora, por definição, a classe não se põe a render, não se põe a jogar e pronto, pelo menos não inteiramente. A classe insinua-se, mostra-se, esconde-se, seduz, e factura furtivamente escarnecendo o jogo que vagamente joga. É importante que a classe de Lucho nos acompanhe, não porque tenha que fazer isto e aquilo, mas porque é importante ela estar lá.

Há também uma dimensão moral nisto. Se Quaresma se ficasse só, seria, objectivamente, "a estrela que ficou para trás". Assim, com Lucho ali por perto, essa narrativa deprimente deixa de ter por onde.



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