Gualter Baptista

Junto-me nas boas-vindas ao Gualter Baptista. Afinal um tipo que concita tanto despeito na direita blogosférica deve ter algumas qualidades. Começa com auto-ironia e capacidade de se rir de si próprio, um bom sinal.


P.S. A iniciativa do milheiral de Silves merece o meu repúdio, tanto pelo alvo escolhido (o proprietário agrícola, a pessoa lesada) como pelo equívoco estratégico de que essa escolha enfermou (a simpatia da opinião pública, fundamental capital político, iria sempre para o agricultor). Aliás bastaria antecipar o efeito da circulação da palavra "agricultor". O agricultor aparece nos media em situações de calamidade ou como iterativo representante de um certo país que se vai extinguindo com particular severidade para os seus últimos "habitantes". Em qualquer economia simbólica que pudéssemos antecipar o "agricultor" já estaria em stasis de desgraça antes mesmo de lhe pisarem o milho. A expressão "pobre agricultor" resulta, na verdade, como uma redundância entre o denotativo da primeira e o conotativo da segunda.
Mas -- volto ao princípio -- aos posts tantos, tal como o agricultor o foi, o Gualter tornou-se um alvo fácil, à mercê de ideologias várias e de uma pletora de activismos que andavam à espera de pretexto. Sinceramente, não creio que a inciativa de Silves venha a ajudar a que o debate sobre os OGM se torne agora mediático e substantivo, no entanto, tanto enxovalho produz sempre um movimento contrário que, quem sabe, até pode ir parar aí.



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