À atenção de Carlos Daniel

Há muitos benfiquistas e sportinguistas que percebem e sabem falar inteligentemente sobre futebol (hoje acordei obscenamente generoso). Dito isto, alguém me explica porque é que naquele programa que dá pelo nome Trio D'Ataque os suportáveis Carlos Daniel e Rui Moreira se fazem acompanhar por dois cavalheiros cuja perspicácia discursiva e sentido de jogo não serviriam para manter conversa na tasca da esquina? Já agora permitam o aparte: o modo como Fernando Santos encaixou ontem as inúmeras vezes em que Rui Oliveira e Costa e António Pedro Vasconcelos o interromperam, naturalmente para desfilarem os disparates do costume, constitui para mim prova bastante para a canonização -- muito a sério, admiro-lhe a têmpera: Fernando Santos é uma boa pessoa a caminho da santidade que escolheu o mundo do futebol como arena de provação.

Mas a questão que não pode deixar de se colocar é a do critério de casting destes programas. Parece que o futebol precisa de se legitimar pela presença de pinos falantes com provas dadas noutras áreas da vida pública a despeito de tudo o mais, sirva-se o buffet: realizadores, apresentadores, músicos, advogados, estatísticos, políticos, etc. Sinceramente, faz-me confusão esta mal disfarçada necessidade de libertar o futebol (e a filiação clubística) dos resíduos de descrédito social, imagine-se, como se o prestígio profissional dos comentadores, independentemente do que tenham para dizer, funcionasse per se como uma espécie de Cilit bang que automaticamente desengordura o estigma popularucho-passional do ser adepto. Experimentem pôr lá gente que tenha algo para dizer. A verdade é que o Rui Oliveira e Costa e António Pedro Vasconcelos, (qual tasca da esquina!) até ali sobressaem como maus demais.

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