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Carolina Salgado, baseada em ressentimentos verídicos (não preciso de teorias da conspiração, um amor magoado basta-me para perceber verosímil a sede de vingança), numa obra cuja margem de ficção se anda a apurar na justiça, contava uma preciosidade que não resisto repescar*. No período final da relação, dizia ela, era costume o seu companheiro e presidente do F.C Porto justificar-lhe idas rompantes ao estrangeiro com negócios que tinham por fito a venda de Quaresma. Carolina, suspeitando de outra mulher além-fronteiras, sentiu-se enganada, tanto mais que, segundo ela, prova suprema da inabilidade da mentira, a fazer fé no móbil da viagem, Quaresma já teria que ter sido vendido umas boas 5 vezes.

Hoje Quaresma marcou dois golos pelo Porto no primeiro jogo do campeonato. Quaresma é o abono de família do Porto há tempo demais. As dependências aprazadas dão sempre ressacas terríveis. Se o período pós-Jardel não foi inteiramente traumático, o pós-mourinho exige ainda fortes medidas paliativas (Ligas nacionais e assim).

Não sei se Pinto da Costa usou tal logro, nem sei se os factos relatados por Carolina têm alguma correspondência com a realidade. Mas, no meio disto tudo, e por muito que o espectro da partida de Quaresma nos continue a assolar as noites, se isso significou retrospectivamente um não-acontecimento (a não venda de Quaresma), não posso deixar de ficar feliz por alguém ter faltado à verdade.

* Não comprei o livro. Determinados "livros técnicos" folheio-os em pé na livraria assim como para apanhar o ar do tempo.



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