Sabe como é

“Sabe, nenhuma mulher é verdadeiramente bonita se não merece a morte de um homem bom! Veja, olhe se eu mereço!” Lídia Jorge, A Costa dos Murmúrios
A morte de um homem bom por anelo estético-romântico é um óbvio tema da narrativa ficcional: um efeito de perspectiva dado tanto pela distância aos factos como pelo charme de fim. O homem bom é misericordiosamente decretado pela lápide ou pelo fim do capítulo. Assim mais ao vivo -- assunto de cafés e não de livros --, falhando a morte misericordiosa, só por milagre é que a obsessão desesperada se concubina com a aparência de bondade. Acontece, contudo. O labor de sobreviver à mortal medida da beleza é uma das cadeiras da educação sentimental. Muito desespero se apouca na fila da charcutaria.

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